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Transcript

Relação com a ficção

“Bastava um olhar ao redor para percebermos que a pandemia tinha perturbado também a nossa relação com a literatura. Para alguns, a leitura de ficção tornou-se um exercício impossível, uma introspeção num estado que já era de confinamento e claustrofobia; para outros, tinha-se transformado num salva-vidas, num espaço de sanidade mental no meio de um mundo desequilibrado" (Juan Gabriel Vásquez, La traducción del mundo, p. 12)

Ficção e tradução

«O escritor não precisa de inventar, mas traduzir, porque o único livro verdadeiro é aquele que existe em cada um de nós. O dever e a tarefa de um escritor são os de um tradutor». (Juan Gabriel Vásquez, La traducción del mundo, p. 33)

Os sonhos

“A consciência dispõe de duas maneiras de representar o mundo. Uma direta, segundo a qual a própria coisa parece estar presente ao espírito, como acontece na perceção ou na simples sensação. A outra indireta quando, por qualquer razão, a coisa não pode apresentar-se “em carne e osso” à sensibilidade, como acontece por exemplo na recordação da nossa infância, no imaginar as paisagens do planeta Marte, na compreensão da órbita dos eletrões em torno do núcleo atómico, ou na representação de um mundo para lá da morte. Em todos estes casos de consciência indireta, o objeto ausente é re/a/presentado à consciência através de uma imagem, no sentido mais lato do termo.” - Gilbert Durand (1985), Sobre a exploração do imaginário, seu vocabulário, métodos e aplicações transdisciplinares: mito, mitanálise e mito crítica.

“Eu amo os meus sonhos”, disse eu, na manhã invernal, Ao homem prático e ele, com desprezo Respondeu “Eu não sou escravo do ideal, Mas, como todos os homens sensatos, eu amo o Real.” Pobre tolo, confundindo tudo o que parece com aquilo que é. Eu amo o real quando amo os meus sonhos."Alexander Search

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As mutações

«O pai tinha a cara um pouco vermelha, com algumas rugas normais para a sua idade. Nesse momento, Maddy observou-lhe o rosto com mais atenção. Parecia subitamente mais velho. Olhou à sua volta». (p. 84)

As mutações

«Maddy sentou-se no banco que lhe tinha parecido um barco e, efetivamente, sentiu-se afundar. Parecia um banco bastante sólido, mas era, na realidade, maleável. Sentiu o banco ceder ao peso do seu corpo como um pedaço de barro que ainda não secou completamente ou como um pedaço de plasticina que lentamente a acolhia, mas que aparentava querer cuspi-la também. E assim foi, afundou-se a tal ponto que até caiu no chão. Sam nem se apercebeu. Maddy não se aleijou, mas não sabia o que pensar daquele jardim, situado assim num andar indeterminado de um edifício que devia ser o edifício atrás daquele» (pp. 15)

As mutações

«A diretora fitou-a, mas não se transformou em hiena. Maddy sentiu que a sua face estava a ganhar rugas a olhos vistos. A diretora parecia muito mais velha, numa questão de segundos» (p. 106).

A subjetividade radical

«A mulher de meia-idade ostentava um sorriso gigante e uma voz prazenteira, cheia de melodia. Vestia um qipao negro, com desenhos de flamingos dourados. Tinha o cabelo tão vermelho como os lábios. - Conseguem ver-me? Desculpem, mas tenho de perguntar. Faz parte do meu trabalho! Ben e Júlia olharam um para o outro, só para confirmar se estavam, de facto, ambos a vê-la. Responderam afirmativamente ao mesmo tempo. (p. 24)

O homem virou-se para o casal. Ofegante, com a cara empapada de suor, os olhos muito abertos a uma expressão séria. - Não é suposto conseguirem ver o cão. (p. 51)

A subjetividade radical

««We’re digging more and more into that dystopia of having fake virtual lives and, at the same time, being completely isolated: it’s just us and our purchases! So boring to work for so long in meaningless jobs that we all become what we can buy. I think that’s the point of all of this system, to isolate you and to get you to buy a fake life to show off on social media while we are, collectively, deeply depressed, being part of the global fantasy»

A natureza

«À medida que abriam a porta, um cheiro intenso invadiu-lhes os sentidos. Era um cheiro a plantas. Depararam-se com enormes palmeiras e uma rebuscada folhagem de plantas que não identificavam. O escritório parecia um jardim tropical, com pássaros por todo o lado, mas o chão continuava a ser de azulejo, tal como no resto do edifício.» (p. 23)