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Transcript

Memorial do convento "Era uma vez a gente que construiu esse convento"

Linhas de ação

Inauguração da primeira pedra, a 17/11/1717

Caracterização dos gastos reais e dos trabalhadores em Mafra.

Recrutamento de operários para Mafra em todo o reino

A princesa Maria Bárbara vê uns trabalhadores recrutados para as obras de Mafra

Sagração do convento

As obras do convento

Visita de Baltasar à “Ilha da Madeira”, local de alojamento para os trabalhadores do convento

Trabalho de Baltasar, regressado a Mafra, na construção, nos carros de mão

Relatos de histórias pessoais

Promoção de Baltasar a boieiro

Elogio e enaltecimento do narrador ao povo humilde e trabalhador, tirando-o, simbolicamente, do anonimato

Transporte da pedra grande (8 dias)

Morte de um dos trabalhadores, Francisco Marques

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“Vão outros Josés, e Franciscos, e Manuéis, serão menos os Balasares, e haverá Joões, Álvaros, Antónios e Joaquins, talvez Bartolomeus, mas nenhum o tal, e Pedros, e Vicentes, e Bentos, Bernardos e Caetanos, tudo quanto é nome de homem vai aqui, só para isso escrevemos, torná-los imortais, pois aí ficam, se de nós depende, Alcino, Brás, Cristóvão, Daniel, Egas, Firmino, Geraldo, Horácio, Isidro, Juvino, Lis, Marcolino, Nicanor, Onofre, Paulo, Quitério.”

4.2 Elogio e enaltecimento do narrador ao povo humilde e trabalhador, tirando-o, simbolicamente, do anonimato

" e quando a adoração da cruz acabou, quatro sacerdotes levantaram-na em peso, cada qual seu extremo, e a arvoraram sobre uma pedra, adrede preparada...""...dezassete de novembro deste ano da graça de mil setecentos e dezassete, aí se multiplicaram as pompas e as cerimónias no terreiro..."

1. Inauguração da primeira pedra, a 17-11-1717

"...o mesmo S. Pedro, palavras ditas, entre a bênção da primeira pedra e a consagração consumiu nada menos que cento e vinte anos de trabalhos e riquezas. Ora, Mafra já engoliu. onze anos de trabalho, das riquezas nem se deve falar,"

7. Sagração do convento

1. Inauguração da primeira pedra a, 17-11-1717No livro, a "pedra" refere-se a uma pedra fundamental ou pedra angular que marca o início da construção do convento de Mafra, Portugal, durante o reinado de D. João V. A "inauguração da pedra" simboliza o início de uma empreitada monumental, representando não apenas a construção física do convento, mas também as complexas relações sociais e políticas da época. Durante a cerimônia de inauguração da pedra, vários personagens-chave estão presentes, incluindo o Rei, a Rainha e também o Padre Bartolomeu Lourenço. Este evento marca o início da construção do convento que será central para a história e também é usado para o leitor refletir sobre as dinâmicas sociais e políticas da época.

"Distraiu-se talvez Francisco Marques, ou enxugou com o antebraço o suor da testa, ou olhou cá do alto a sua vila de Cheleiros, enfim se lembrandoda mulher, fugiu-lhe o calço da mão no preciso momento em que a plataforma deslizava, não se sabe como isto foi, apenas que o corpo está debaixo do carro, esmagado, passou-lhe a primeira roda por cima, mais de duas mil arrobas só a pedra, se ainda estamos lembrados."

"Trouxeram um esquife, puseram-lhe o corpo em cima, enrolado numanmanta que ficou logo empapada em sangue, dois homens pegaram aos varais, outros dois para revezamento os acompanharam, os quatro para dizer à viúva"

"Tiraram Francisco Marques de debaixo do carro. A roda passara-lhe sobre o ventre, feito numa pasta de vísceras e ossos, por um pouco se lhe separavam as pernas do tronco, falamos da sua perna esquerda e da sua perna direita..."

4.4 Morte de um dos trabalhadores, Francisco Marques

“Querendo, há trabalho para toda a gente, disse Álvaro Diogo, podes ir de servente ou fazer carretos com os carros de mão, o teu gancho é quanto basta para amparares o varal, são assim os tropeções da vida, um homem vai à guerra, volta de lá aleijado, depois voa por artes misteriosas, confidenciais, e emim se quer ganhar o pobre pão de cada dia, é o que se vê, e pode gabar-se da sorte, que há mil anos…”

“Podes vir trabalhar na segunda-feira, começas a semana, vais para os carros de mão. Baltasar agradeceu como devia ao matriculador e saiu da vedoria-geral, nem triste nem alegre, um homem deve ser capaz de ganhar o seu pão de qualquer maneira e em qualquer lugar, mas se é o caso de esse pão não lhe alimentar também a alma, satisfez-se o corpo, a alma padece.”

2.2 Trabalho de Baltasar, regressado a Mafra, na construção, nos carros de mão

2.1.As obras do convento

“Deve-se a construção do convento de Mafra ao rei D. João V, por um voto que fez se lhe nascesse um filho, vão aqui seiscentos homens que não fizeram filho nenhum á rainha e eles é que pagam o voto, que se lixam, com perdão da anacrónica voz”

critica social

"Chamo-me Joaquim da Rocha, nasci no termo de Pombal, lá tenho a família, só a mulher, filhos tive quatro, mas todos morreram antes de fazerem dez anos, dois de bexigas negras, os outros de espinhela caída e sangue chupado, tinha lá um cerrado de renda, mas o ganho não davapara comer, então disse à mulher, vou para Mafra, é trabalho garantido e por muitos anos, enquanto durar durou, agora há seis meses que não vou a casa, se calhar nem volto lá mais, mulheres não faltam, e a minha devia ser de má casta para assim ter parido quatro filhos e deixado morrer todos, O meu nome éManuel Milho, venho dos campos de Santarém, um dia os oficiais do corregedor passaram por lá compregão de haver bom jornal e bom passadio nestas obras de Mafra, vim eu, e mais alguns, dois que vieram comigo ficaram naquele aluimento de terras que houven o ano passado, não gosto dos sítios daqui, e não é por terem cá morrido dois patrícios..."

3.2 Relatos de histórias pessoais

“Sabia já Baltasar que o sítio onde se encontrava era conhecido pelo nome de Ilha da Madeira, e bem posto lhe fora, porque, tirando umas poucas casas de pedra e cal, todo o mais era de tabuado, mas construído para durar. Havia oficinas de ferreiros, bem que podia Baltasar ter mencionado a sua experiência de forja, nem tudo lembra, e outras artes de que nada sabia, mais tarde se juntarão as dos latoeiros, dos vidraceiros, dos pintores, e quantas mais. Muitas das casas de madeira tinham sobrados, em baixo acomodavam-se as bestas e os bois, em cima as pessoas de muita ou alguma distinção, os mestres da obra, os matriculadores e outros senhores da vedoria-geral, e oficiais da guerra que governavam os soldados. A esta hora da manhã estavam saindo das lojas os bois e as mulas, outros teriam sido levados mais cedo, o chão empapava-se de urina e excrementos, e, como em Lisboa, na procissão do Corpo de Deus, os rapazitos corriam pelo meio da gente e do gado”

2.3 Visita de Baltasar à “Ilha da Madeira”, local de alojamento para os trabalhadores do convento.

"Durante muitos meses, Baltasar puxou e empurrou carros de mão, até que um dia se achou cansado de ser mula de liteira, ora à frente, ora atrás, e, tendo prestado públicas e boas provas perante oficiais do ofício, passou a andar com uma junta de bois, das muitas que el-rei tinha comprado. Fora de boa ajuda na promoção o José Pequeno..." "Fora de boa ajuda o José Pequeno porque instou com o abegão que passasse Baltasar Sete-Sóis a boieiro, se já andava com os bois um aleijado, podiam andar dois, fazem companhia um ao outro..."

4.1. Promoção de Baltasar a boieiro

"... e, virando os olhos ensonados para os campos crepusculares, viu parado um pardo ajuntamentode homens, alinhados na beira do caminho e atados uns aos outros por cordas, seriam talvez uns quinze."

"Saiba vossa alteza que aqueles homens vão trabalhar para Mafra, nas obras do convento real, são do termo de Évora, gente de ofício, E vão atados porquê, Porque não vão de vontade, se ossoltam fogem, Ah. Recostou-se a princesanas almofadas, pensativa, enquanto o oficial repetia e gravava em seu coração as doces palavras trocadas,...""A princesa já não pensa nos homens que viu na estrada."

6. A princesa Maria Bárbara vê uns trabalhadores recrutados para as obras de Mafra.

"Vai ser uma grande jornada. Daqui a Mafra, mesmo tendo el-rei mandado consertar as calçadas, o caminho é custoso, sempre a subir e a descer, ora ladeando os vales, ora empinando-se para as alturas, ora mergulhando a fundo, quem fez as contas aos quatrocentos bois e aos seiscentos homens, se as errou, foi na falta, não que estejam de sobra."

"... um homem distraiu-se, deixou ficar um pé debaixo da roda, ouviu-se um berro, um grito de dor insuportada, a viagem começa mal."

4.3 Transporte da pedra grande

“Foram as ordens, vieram os homens. De sua própria vontade alguns, aliciados pela promessa de bom salário, por gosto de aventura outros, por desprendimento de afectos também, à força quase todos. Deitava-se o pregão nas praças, e, sendo escasso o número de voluntários, ia o corregedor pelas ruas, acompanhado dos quadrilheiros, entrava nas casas, empurrava os cancelos dos quintais, saía ao campo a ver onde se escondiam os relapsos, ao fim do dia juntava dez, vinte, trinta homens, e quando eram mais que os carcereiros atavam-nos com cordas, variando o modo, ora presos pela cintura uns nos outros, ora com improvisada pescoceira, ora ligados pelos tornozelos, como galés ou escravos. Em todos os lugares se repetia a cena, Por ordem de sua majestade, vais trabalhar na obra do convento de Mafra,” (...)“Juntam-se os homens que entraram hoje, dormem onde calhar, amanhã serão escolhidos. Como os tijo-los. Os que não prestarem, se foi de tijolos a carga, ficam por aí, acabarão por servir a obras de menos calado, não faltará quem os aproveite, mas, se foram homens, mandam-nos embora, em hora boa ou hora má, Não serves, volta para a tua terra, e eles vão,. por caminhos que não conhecem, perdem-se, fazem-se vadios, morrem na estrada, às vezes roubam, às vezes matam, às vezes chegam.”

5. Recrutamento de operários para Mafra em todo o reino.

"Saiba vossa real majestade que na inauguração do convento de Mafra se gastaram, números redondos, duzentos mil cruzados, e el-rei respondeu, Põe na conta, disse-oporque ainda estamos no princípio da obra, um dia virá em que quereremos saber, Afinal, quanto terá custado aquilo, e ninguém dará satisfação dos dinheiros gastos, nem facturas,nem recibos, nem boletins de registo de importação, sem falar de mortes e sacrifícios, que esses são baratos.""...entre a bênção da primeira pedra e a consagração, consumiu cento e vinte anos de trabalhos e riquezas..."

3.1 Caracterização dos gastos reais e dos trabalhadores em Mafra

4.1 Promoção de Baltasar a boieiro

A promoção de Baltasar a boieiro, ou seja, condutor de bois, é um momento significativo. Para um simples operário a promoção indica uma mudança no estatuto e na ocupação de Baltasar mas também simboliza a sua ascensão na hierarquia dos trabalhadores, ganhando uma nova responsabilidade e visibilidade, destacando as complexidades das relações sociais e das oportunidades limitadas na sociedade da época.Esses eventos são hábeis instrumentos de Saramago para explorar as dinâmicas sociais e proporcionar uma rica tapeçaria narrativa em torno dos personagens principais.