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Ana Luísa Amaral

“Visitações, ou poema que se diz manso”

Beatriz Correia Nº4 & Diana Cordeiro Nº6

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índice

1. Título e Autora

2. Poema

3. Análise do poema

4. Análise do Título

5. Tema

6. Estrutura externa

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“Visitações, ou poema que se diz manso”

De mansinho ela entrou, a minha filha,A madrugada entrava como ela, mas não tão de mansinho. Os pés descalços, de ruído menor que o do meu lápis e um riso bem maior que o dos meus versos. Sentou-se no meu colo, de mansinho.O poema invadia como ela, mas nãotão mansamente, não com esta exigênciatão mansinha. Como um ladrão furtivo,a minha filha roubou-me inspiração, versos quase chegados, quase meus. E mansamente aqui adormeceu,feliz pelo seu crime.

O poema invadia como ela, mas nãotão mansamente, não com esta exigênciatão mansinha. Como um ladrão furtivo,a minha filha roubou-me inspiração,versos quase chegados, quase meus.E mansamente aqui adormeceu,feliz pelo seu crime.

De mansinho ela entrou, a minha filha,A madrugada entrava como ela, mas não tão de mansinho. Os pés descalços,de ruído menor que o do meu lápise um riso bem maior que o dos meus versos.Sentou-se no meu colo, de mansinho.

Análise do poema

O poema situa-nos num contexto familiar: o sujeito poético, feminino, estava a escrever um poema, quando a filha entrou de mansinho e o interrompeu.

A entrada da filha, que é feita de mansinho, é comparada à chegada da madrugada (vv. 1-3). As comparações sugerem que a entrada da filha é um acontecimento natural e espontâneo e destaca a mansidão, brandura e silêncio que caracterizam essa entrada.

A entrada da filha veio interromper o ato de escrita do sujeito poético: “O poema invadia como ela, mas não / tão mansamente, não com esta exigência / tão mansinha.” (vv. 7-9). A comparação estabelece-se também entre o efeito dos poemas e o efeito da presença da filha.

O poema invadia como ela, mas nãotão mansamente, não com esta exigênciatão mansinha. Como um ladrão furtivo,a minha filha roubou-me inspiração,versos quase chegados, quase meus.E mansamente aqui adormeceu,feliz pelo seu crime.

O «eu» poético constrói-se entre duas figurações: a de poeta e a de mãe ou mãe e poeta. Com o surgimento da filha em cena, no momento em que escreve, em que cria, assume o papel de mãe. Este papel maternal pode também relacionar-se com o ato da criação poética: o «eu», enquanto poeta, é mãe do poema que escreve.

Assim sendo, a figura da filha pode entender-se num duplo sentido: representa para a mãe o que a inspiração representa para o «eu», ou constitui a fonte de inspiração necessária ao surgimento do poema.

A comparação da filha a um “ladrão furtivo” e a metáfora final do «crime» sugerem a sua aproximação silenciosa e furtiva e o roubo da atenção da mãe.

O poema invadia como ela, mas nãotão mansamente, não com esta exigênciatão mansinha. Como um ladrão furtivo,a minha filha roubou-me inspiração,versos quase chegados, quase meus.E mansamente aqui adormeceu,feliz pelo seu crime.

De mansinho ela entrou, a minha filha,A madrugada entrava como ela, mas não tão de mansinho. Os pés descalços,de ruído menor que o do meu lápise um riso bem maior que o dos meus versos.Sentou-se no meu colo, de mansinho.

Análise do poema

Análise do Título

“Visitações, ou poema que se diz manso”

  • O título do poema sugere que a visitação da filha pode equivaler à visitação da inspiração para a criação poética.
  • Reforça a ideia de que tanto a presença da filha quanto a inspiração poética são visitas suaves e bem-vindas.
  • A mansidão da filha e a docilidade do poema entrelaçam-se, sugerindo uma conexão profunda entre a vida cotidiana e a arte.

Obrigada pela vossa atenção!

Extrutura Externa

tema

A arte poética e as figurações do poeta.

  • 5 Estrofes: dois monósticos, uma quadra, uma quintilha e um dístico.
  • Métrica: irregular
  • Ausência de rima