Want to make creations as awesome as this one?

Transcript

Vida e Obra

FernandoPessoa

"Pobre Velha Música"
  • 13 de junho de 1888: Nasce Fernando António Nogueira Pessoa, numa casa particular em frente ao Teatro Nacional de S. Carlos, n.º 4, 4.º Esq., às 15h20.
  • 21 de janeiro de 1993: Nasce Jorge, o irmão de Pessoa.
  • 13 de julho de 1993: Morre o pai de Pessoa, vítima de tuberculose.
  • 2 de janeiro de 1894: Morre o irmão Jorge, com uma reacção alérgica à vacina da varíola.
  • janeiro de 1894: A mãe conhece João Miguel Rosa, seu futuro marido.

A Infância

  • 30 de dezembro de 1895: A mãe casa-se, por procuração, com o comandante João Miguel Rosa, que está em Durban como cônsul de Portugal. Deste casamento vão nascer 5 filhos. Dois morrem em criança.
  • 20 de janeiro de 1896: Pessoa e a mãe partem para Durban, na atual África do Sul.
  • 7 de abril de 1899: Pessoa ingressa na Durban High School.
  • Novembro de 1903: Faz o exame de qualificação na Universidade do Cabo da Boa Esperança. Ganha o Queen Victoria Memorial Prize para o melhor ensaio, entre 899 candidatos.
  • 16 de dezembro de 1904: Faz o Intermediate Examination in Arts da Universidade do Cabo da Boa Esperança, sendo colocado na Second Class e obtendo a classificação mais elevada da província do Natal.

África do sul

Poesias Inéditas (1930-1935). Fernando Pessoa. (Nota prévia de Jorge Nemésio.) Lisboa: Ática, 1955 (imp. 1990). - 44.

  • 20 de agosto de 1905: Embarca no Herzog com destino a Lisboa. Não voltará a África do Sul. Sabe-se que não gostava de viajar.

Sou um evadido.Logo que nasciFecharam-me em mim,Ah, mas eu fugi.Se a gente se cansaDo mesmo lugar,Do mesmo serPor que não se cansar?

  • 2 de outubro de 1905: Começa a frequentar o Curso Superior de Letras em Lisboa.
  • Junho de 1907: Pessoa abandona o Curso Superior de Letras, provavelmente por falta de motivação.

A vida em Lisboa

A Casa Fernando Pessoa é a casa que foi habitada pelo escritor nos últimos 15 anos de vida.Tem uma exposição em três pisos, sobre a vida e obra do poeta e uma biblioteca especializada em poesia mundial.

  • 1909: Com o dinheiro da herança da avó paterna, Pessoa abre uma tipografia em Lisboa: Íbis.
  • 1910: A tipografia Íbis abre falência.
  • 7 de outubro de 1919: Morre, em Pretória, o padrasto.
  • Abril de 1920: Depois da morte do padrasto, a mãe e os meios-irmãos de Pessoa desembarcam em Lisboa. A família instala-se na Rua Coelho da Rocha, 16, 1.º Dto. Pessoa residirá nesta casa até morrer. Atualmente, é a Casa Museu Fernando Pessoa.
  • 17 de março de 1925: Morre a mãe.
  • 8 de outubro de 1919: Conhece Ofélia Queiroz na firma Félix, Valladas & Freitas, Lda., onde trabalha como tradutor de cartas comerciais.
  • 1 de março de 1920: Data da sua primeira carta a Ofélia Queiroz.
  • 29 de novembro de 1920: Termina a relação com Ofélia Queiroz.
  • Setembro de 1929: Pessoa e Ofélia Queiroz retomam a relação.
  • 11 de janeiro de 1930: Escreve a última carta a Ofélia Queiroz.

Fernando e Ofélia

23-5-1932Poesias. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995). - 142.

"A morte é a curva da estrada,Morrer é só não ser visto."

  • 29 de novembro de 1935: É internado, com forte dores abdominais, no Hospital de S. Luís dos Franceses, em Lisboa. Escreve as suas últimas palavras: “I know not what tomorrow will bring” (“Não sei o que o amanhã trará”).
  • 30 de novembro de 1935: Morre, por volta das 20h.
  • 2 de dezembro de 1935: É enterrado no cemitério dos Prazeres, em Lisboa.
  • 1985: Os seus restos mortais são transladados para o Mosteiro dos Jerónimos.

A morte

Fernando Pessoa viu publicada uma parte muito pequena da sua extensa obra, que tem vindo a ser editada em vários livros desde 1942.Em vida apenas publicou 5 livros:

A Obra

Os Heterónimos

Fernando Pessoa in carta a Adolfo Casais Monteiro sobre a génese dos heterónimos, de 13 de janeiro de 1935

“Esta tendência para criar em torno de mim um outro mundo, igual a este mas com outra gente, nunca me saiu da imaginação.”

A sua produção literária é, sobretudo, marcada pela obra de 3 heterónimos: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, apresentados nas revistas Orpheu (1915) e Athena (1924 e 1925).

Os outros "eus"

E chegámos ao fim desta lição! Vamos, agora, testar os vossos conhecimentos.

Alberto Caeiro

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, Não há nada mais simples. Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte. Entre uma e outra coisa todos os dias são meus.

Ophelinha: Gostei do coração da sua carta, e realmente não vejo que a fotografia de qualquer meliante, ainda que esse meliante seja o irmão gémeo que não tenho, forme motivo para agradecimento. Então uma sombra bêbada ocupa lugar nas lembranças? Ao meu exílio, que sou eu mesmo, a sua carta chegou como uma alegria lá de casa, e sou eu que tenho que agradecer, pequenina. Já agora uso a ocasião e peço-lhe desculpa de três coisas, que são a mesma coisa, e de que não tive a culpa. Por três vezes a encontrei e a não cumprimentei, porque a não vi bem ou, antes, a tempo. Uma vez foi já há muito, na Rua do Ouro e à noite; ia a Ophelinha com um rapaz que supus seu noivo, ou namorado, mas realmente não sei se era o que era justo que fosse. As duas outras vezes foram recentes, e no carro em que ambos seguíamos no sentido que acaba na Estrela. Vi-a, uma das vezes, só de soslaio, e os desgraçados que usam óculos têm o soslaio imperfeito. Outra coisa... Não, não é nada, boca doce... Fernando 11/9/1929

9.10.1929 Terrível Bebé: Gosto das suas cartas, que são meiguinhas, e também gosto de si, que é meiguinha também. E é bombom, e é vespa, e é mel, que é das abelhas e não das vespas, e tudo está certo, e o Bebé deve escrever-me sempre, mesmo que eu não escreva, que é sempre, e eu estou triste, e sou maluco, e ninguém gosta de mim, e também porque é que havia de gostar, e isso mesmo, e torna tudo ao princípio, e parece-me que ainda lhe telefono hoje, e gostava de lhe dar um beijo na boca, com exactidão e gulodice e comer-lhe a boca e comer os beijinhos que tivesse lá escondidos e encostar-me ao seu ombro e escorregar para a ternura dos pombinhos, e pedir-lhe desculpa, e a desculpa ser a fingir, e tornar muitas vezes, e ponto final até recomeçar, e porque é que a Ophelinha gosta de um meliante e de um cevado e de um javardo e de um indivíduo com ventas de contador de gaz e expressão geral de não estar ali mas na pia da casa ao lado, e exactamente, e enfim, e vou acabar porque estou doido, e estive sempre, e é de nascença, que é como quem diz desde que nasci, e eu gostava que a Bebé fosse uma boneca minha, e eu fazia como uma criança, despia-a, e o papel acaba aqui mesmo, e isto parece impossível ser escrito por um ente humano, mas é escrito por mim Fernando

Casa onde Fernando Pessoa nasceu

Ophelinha:Para me mostrar o seu desprezo, ou, pelo menos, a sua indiferença real, não era preciso o disfarce transparente de um discurso tão comprido, nem da série de «razões» tão pouco sinceras como convincentes, que me escreveu. Bastava dizer-mo. Assim, entendo da mesma maneira, mas dói-me mais.Se prefere a mim o rapaz que namora, e de quem naturalmente gosta muito, como lhe posso eu levar isso a mal? A Ophelinha pode preferir quem quiser: não tem obrigação — creio eu — de amar-me, nem, realmente necessidade (a não ser que queira divertir-se) de fingir que me ama.Quem ama verdadeiramente não escreve cartas que parecem requerimentos de advogado. O amor não estuda tanto as coisas, nem trata os outros como réus que é preciso «entalar».Porque não é franca para comigo? Que empenho tem em fazer sofrer quem não lhe fez mal — nem a si, nem a ninguém —, a quem tem por peso e dor bastante a própria vida isolada e triste, e não precisa de que lha venham acrescentar criando-lhe esperanças falsas, mostrando-lhe afeições fingidas, e isto sem que se perceba com que interesse, mesmo de divertimento, ou com que proveito, mesmo de troça.Reconheço que tudo isto é cómico, e que a parte mais cómica disto tudo sou eu.Eu-próprio acharia graça, se não a amasse tanto, e se tivesse tempo para pensar em outra coisa que não fosse no sofrimento que tem prazer cm causar-me sem que eu, a não ser por amá-la, o tenha merecido, e creio bem que amá-la não é razão bastante para o merecer. Enfim...Aí fica o «documento escrito» que me pede. Reconhece a minha assinatura o tabelião Eugénio Silva.1.3.1920.Fernando Pessoa