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Arquitetura

Românica

Fig.1 - Abadia de Saint Philibert De Tournus, França, c.1000

Índice

Contexto Histórico

A igreja românica

Técnicas e elementos construtivos

Formas de vida medieval

Variantes do românico

Contexto Histórico

A arte românica desenvolveu-se no século XI até o início do século XIII na Europa, e depois pelo resto do mundo.A sociedade, durante o período medieval, era sobretudo rural e vivia em precárias condições de higiene e de subsistência.

Fig.3 - Camponeses (ilustração)

Fig.2 - Igreja de Santa Ana, Jerusalém, Israel, 1138

Contexto Histórico

As Ordens religiosas do Monaquismo foram responsáveis não só por toda a atividade artística e cultural, mas também pela padronização do estilo que caracterizou a arquitetura da época: o Românico.

Fig.4 - Monge no scriptorium, iluminura

Fig.5 - Catedral de Angoulême, fachada, Charente, França, 1110 - 1128

Contexto Histórico

O mosteiro ou a abadia foram os edifícios do estilo românico que pertenciam ao clero, o castelo pertencia aos senhores feudais.

Fig.6 - Abadia de Valbuena, Espanha, 1143

Fig.7 - Castelo de Ludlow, Inglaterra, c.1100

Contexto Histórico

Os templos religiosos situavam-se nas rotas de peregrinação aos lugares de culto e de devoção.A arte românica desenvolveu-se na Europa e espalhando-se pelo resto do mundo, a partir da propagação do cristianismo, pelas Cruzadas, no auge na decadência do sistema feudal.

Fig.8 - Caminhos de Santiago

Contexto Histórico

A ideologia cristã que dominava os costumes da sociedade e as estruturas feudais e monacais alastraram por toda a Europa Ocidental, sustentando um conjunto de valores, formas e tipologias artísticas comuns, que caracterizaram o Românico.

Fig.9 - Igreja de Santa Ana, nave principal, Aldeneik, Bélgica, c.1150

A igreja românica

As igrejas românicas são construções robustas, compactas e fortemente implantadas no solo. Características plásticas da igreja românica: - Planta em cruz latina (uma representação simbólica à imagem de Cristo na cruz, a abside corresponde á cabeça, o transepto aos braços e as naves ao tronco do corpo); - Construção em blocos de pedra; - Abóbada de berço (suportada por pilares cruciformes em vez de colunas); - Arco de volta perfeita.

Arco de volta perfeita

Abóbada de berço

Fig.11 - Simbologia da planta de cruz latina

Fig.10

A igreja românica

Fig.12 - Planta de uma igreja

Principais espaços da igreja românica: - Cabeceira, lugar do altar e do coro, que eram espaços sagrados; - Portal, onde se concentravam os episódios decorativos mais importantes, sobre os tímpanos, colunelos e as arquivoltas;

A igreja românica

Fig.13 - Igreja de Santo Domingo, portal, Espanha

Algumas igrejas possuíam:- Cripta, galeria subterrânea que era destinada a albergar as relíquias ou a sepultar os membros do clero; - Pórtico (nártex), servia de antecâmera de entrada; - Claustro, pátio amplo interior rodeado por uma galeria de colunas que servia de deambulatório para os monges

A igreja românica

Fig.15 - Basílica de São João de Latrão, claustro, Roma, 1222

Fig.14 - Igreja de San Ponziano, cripta, Spoleto, Itália

As igrejas e mosteiros situavam-se sempre nas grandes rotas de peregrinação. Estas acolhiam os peregrinos e guardavam relíquias de santos e santas e tesouros preciosos (normalmente guardados em criptas ou capelas radiantes em torno do deambulatório) que estes vinham adorar. Todavia, a obscuridade em que os interiores das igrejas e mosteiros mergulhavam contribuía para uma atmosfera de mistério, enigma e misticismo que caracterizou o românico.

A igreja românica

Fig.16 - Igreja de Santiago de Compostela, vista exterior, Espanha, 1075-1128

Em síntese, a igreja românica consiste num espaço dinâmico em forma de cruz latina que deve estar orientada de ocidente para oriente, com a cabeceira voltada para este, lugar de revelação divina, e o transepto na direção norte-sul.

A igreja românica

Fig.17 - Exemplo de um planta de cruz latina

O Cristianismo era uma religião congregacional, logo, as pessoas eram insinuadas a ir orar às igrejas. Perante esta situação, os arquitetos constataram um problema no que tocava á gestão de espaço do vão da igreja: precisava de aumentá-lo para que uma elevada quantidade de pessoas pudesse estar dentro das estruturas ao mesmo tempo.

Técnicas e elementos construtivos

Fig.18 - Abadia de Vézelay, França, 1120 - 1150

O elemento principal do sistema construtivo das igrejas românicas é o arco de volta perfeita, que é utilizado em toda a estrutura. Enquanto na cobertura da nave central é mais utilizada a abóbada de berço, na cobertura das naves laterais é a abóbada de aresta. A estrutura de ambos elementos construtivos era definida por tramos (unidades estruturais formadas por abóbadas sucessivas e pelos seus elementos de descarga de forças).

Técnicas e elementos construtivos

Técnicas e elementos construtivos

Abóbada de aresta

Abóbada de berço

Fig.19 - Reconstituição da construção de uma abóbada de aresta

Arco de volta perfeita

Abóbada de berço

  1. -
  2. -
  3. -
  4. -
  5. -
  6. -
  7. -
  8. -

Chave ou pedra de fechoAduelaExtradorsoImpostaIntradorsoFlechaVão ou largura do arcoContraforte ou muro de suporte

Fig.20 - Esquema de uma abóbada de berço

Abóbada de aresta

Arco formeiro

Arco toral

Arco cruzeiro

Fig.21 - Elementos constituintes de uma abóbada de aresta

Ao longo de uma nave, cada tramo é definido por um par de arcos torais, um par de arcos formeiros (entre a nave principal e a lateral) e um par de arcos cruzeiros, estes constituem as nervuras da abóbada de aresta.Os muros são espessos, reforçados por contrafortes e com poucas aberturas, e os pilares passam a ser compostos, formados por colunelos e pilastras adossadas para aumentar a sua resistência de modo a conseguir suportar melhor as cargas exercidas pelas abóbadas.

Técnicas e elementos construtivos

Fig.22 - Abóbada de aresta e tramo (edíficio não identificado)

Técnicas e elementos construtivos

Fig.

Fig.23 - Esquema de uma igreja e seus elementos

O alçado da nave principal é organizado por níveis: - Arcada, formada pela série de arcos e pilares; - Tribuna, galeria sobre a nave lateral aberta para a nave principal; - Trifório, nível intermédio de arcadas mais pequenas entre a arcada principal e a tribuna, podendo substituir esta última; - Clerestório, sequência de janelas no último nível que iluminava as naves.

Técnicas e elementos construtivos

Alçado interno da nave principal

Arcada

Tribuna

Trifório

Clerestório

Fig.24 - Legenda do alçado interno da nave principal de uma igreja

Formas de vida medieval

De acordo com as necessidades, surgiram edifícios com funções distintas: as igrejas para os fiéis, os mosteiros para os monges e abades e os castelos para os senhores feudais. Os edifícios românicos, principalmente os religiosos, comungavam do mesmo espírito: manifestar o poder de Deus sobre o Homem.

Fig.25 - Igreja da Abadia de Saint Foy, nave, Conques, França, c.1100

Formas de vida medieval

As igrejas românicas deviam satisfazer outras funções e necessidades do que estavam destinadas. Como estrutura comunitária, por exemplo, os pórticos serviram frequentemente para uniões populares, as torres-campanário desempenharam funções de vigilância dos campos em redor e os próprios edifícios serviram de refúgio das populações perante ataques inimigos.

Fig.26 - Igreja de S. Salvador de Resende, Portugal

Formas de vida medieval

As construções românicas eram autênticos edifícios-fortaleza, robustos e impenetráveis que serviam de proteção á população, refúgio espiritual ou físico. Os mosteiros são estruturas arquitetónicas, organizados em áreas e compartimentos destinados á vida comunitária monástica e de isolamento, onde vivem os monges e abades.

Fig.27 - Mosteiro de San Vittore Alle Chiuse, Genga, Itália, 1011

Formas de vida medieval

Os castelos eram, por sua natureza, a estrutura defensiva de um determinado território (o feudo) onde habitavam o senhor feudal, a sua família e os seus vassalos. Estes localizavam-se em zonas elevadas, com boa visibilidade, e tinham um aspeto de fortaleza, com duplas muralhas, normalmente circundadas por um fosso de água.

Fig.28 - Representação ilustrativa de um feudo

Formas de vida medieval

A sua principal estrutura era a torre de menagem, a construção mais elevada do edifício que constituía o último reduto defensivo e servia também de alojamento aos senhores feudais. Para além desta torre, o castelo continha outros espaços que integravam outras dependências necessárias á defesa, manutenção e sobrevivência em caso de ataque inimigo.

Fig.29 - Torre de Menagem do Castelo de Conisbrough, Inglaterra, 1066

Formas de vida medieval

Em seu redor, aglomeravam-se populações rurais em humildes, precárias e vulneráveis habitações de madeira e colmo. Os castelos eram construções frias e rudes por ser privilegiada a sua função militar e defensiva.

Fig.30 - Castelo de Loarre, Espanha, c.1100

Castelo

Fig.31 - Esquema de um castelo

A arquitetura românica expandiu-se por toda a Europa Ocidental, impulsionadas pelas Ordens Monásticas. Destacam-se diferentes variantes regionais, como a arquitetura da Lombardia e Toscana em Itália, a normanda em Inglaterra e a da tradição otoniana nos países germânicos.

Variantes do românico

Fig.32 - Abadia de Lessay, Normandia, França

Na Normandia encontram-se elementos particulares que permite que se distinga a produção arquitetónica desta área geográfica da do resto de França: - Pilares cruciformes; - Grande elevação das naves dotadas de um trifório, assim como o deambulatório; - Parede membranosa no braço meridional do transepto.

Variantes do românico

Fig.33 - Catedral de Durham, nave, Inglaterra, 1093-1133

Em Inglaterra, a arquitetura normanda, os elementos mais marcantes da sua arquitetura característica são a robustez das suas formas e a sua estrutura maciça.

Variantes do românico

Fig.34 - Catedral de Durham, Inglaterra, 1093-1133

Nos países germânicos, a variante do românico afirma uma linguagem arquitetónica sóbria, clara e de volumes muito acentuados. É apresentado também um coro duplo, onde a igreja possui também um coro na extremidade a Ocidente.

Variantes do românico

Fig.35 - Igreja Abacial de Santa Maria Laach, Renânia, Alemanha, 1093-1156

Em Itália, o românico atingiu uma elevada qualidade plástica, principalmente pela originalidade da decoração dos revestimentos com grande rigor geométrico. Assim, a arquitetura liberta-se do recurso á decoração esculpida para salientar a pureza das linhas e das formas arquitetónicas.

Variantes do românico

Fig.36 - Batistério de Florença, Itália, 1060-1150

Conclusão

Em suma, a arte românica foi um estilo que se alastrou pela Europa, e mais tarde pelo resto do mundo, graças á expansão do Cristianismo. A arquitetura românica é um estilo de arquitetura religiosa que tem como objetivo trazer um refúgio às populações, seja refúgio material ou espiritual, a partir das igrejas, dos mosteiros ou dos castelos. A arquitetura românica adotou elementos derivados da tradição romana como o arco de volta perfeita, a abóbada de berço, o muro e o contraforte. O Românico foi marcado por construções robustas, maciças, autênticos edifícios-fortaleza. Consoantes as necessidades da sociedade, os edifícios ganharam funções distintas: igrejas para os fiéis, mosteiros e abadias para os monges e castelos para os senhores feudais. A partir de França, surgiram variantes na Europa Ocidental, desenvolvendo-se nos países germânicos, em Inglaterra e em Itália.

BIBLIOGRAFIA

Arquitetura Românica – Olhe á sua volta (wordpress.com) NUNES, Paulo Simões, História da Cultura e das Artes 10, Lisboa, Raiz Editora, 2021.MARRUCCHI, Giulia; e outros, A Grande História da Arte 4. A Alta Idade Média e Românico, Lisboa, Mediasat Group, 2006