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Uma revista de e para todosos apaixonados pela Educação

Edição n.º 1

julho/agosto

A importância dos livros … desde a Primeira Infância |Catarina Fonseca

Editorial | Ana Monteiro Pais, Daniela Vieira, Raquel Janeiro e Sílvia Valério

Índice

O que vais encontrar ?Carrega no artigo que queres ler.

Mixórdia de Matemática |Flávia Louret

Tempo de EstudoAutónomono 1.º Ciclo |Daniela Ribeiro e Tânia Correia

Sardinha Lisboeta |Andreia Namora

Saber mais com...Entrevista Nuno Pinto Martins |Educar pela Positiva

A obra de arte comoviagem |Rita Rovisco

Aprender exige esforço |Alberto Veronesi

A importância da Música no desenvolvimentoda Criança desde a Gravidez |Claúdia Coelho

Matemática vilã ou heroína? |Raquel São Matias

O jogo como processo de aprendizagemna sala de aula |Sílvia Valério

Aprendo à minha maneira! |Joana Rombert

Um olhar diferentepara a Matemática |Sandra Ribeiro

A germinação no frasco |Patrícia Oliveira

Os 4 C´s para o último mês de aulas |Joana Magno

O papel da Educação física no desenvolvimento da inteligência emocional da criança |Fábio Santos

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Das novidades ao Trabalho de Texto |Raquel Janeiro

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Queres saber o que vemaí dia 25/06? | ATIVIDADES DE VERÃO

Livros do Mês...Sílvia Pimenta

"Em amena cavaqueira com..." |Daniela Vieira

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Estudantes de hoje. Profissionais inovadoras para o amanhã? |Inês Manso e Joana Reis

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Em cada artigo poderá aceder ao Instagram do autor (se este tiver), para isso, basta carregar no seu nome.

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Editorial

Eu reinvento-me... Tu reinventas-te... Ele reinventa-se...

Ana Monteiro Pais, Daniela Vieira, Raquel Janeiro e Sílvia Valério

Somos 3 professoras a lecionar no 1º Ciclo e é com imensa satisfação que lançamos o primeiro número da revista EduC@tiva cuja missão visa a partilha e publicação de artigos escritos por profissionais da Educação sobre as suas práticas, ideias, reflexões e/ou desabafos.Mais do que nunca a escola deve proporcionar aos alunos a tomada de consciência das suas aptidões e encontrar forma de potenciar as mesmas. Desde cedo não só devem ser trabalhados os conhecimentos mas competências sociais, relacionais e emocionais urgem ser desenvolvidas nas nossas escolas pois o ensino não pode ser uma mera formatação e treino para exames e rankings.

É também com este intuito que gostaríamos que todos se consigam rever na Educ@tiva e possam contribuir para que este projeto possa inspirar os que estão a começar.Esta publicação é bimestral e todos os artigos são da inteira responsabilidade dos seus autores.Deixamos um agradecimento a todos os que tornaram este projeto possível aceitando o convite para a escrita dos artigos desta primeira edição.Temos a certeza que a Educ@tiva, mais do que um projeto de 3 professoras, será um projeto DE E PARA TODOS. A equipa da Educ@tiva

A importância dos livros …desde a Primeira Infância.

Escrito por: Catarina Fonseca

O amor pelos livros foi-me incutido desde tenra idade pelo meu pai, alavancando dessa forma uma paixão literária que não se ficou pela infância, mas que perdura até hoje. Efetivamente, é desde a primeira infância, que o contacto com o livro desempenha uma função primordial: é, também, através dele que o bebé adquire algumas representações sobre o mundo que o rodeia (Bastos, 1999). Através da exploração de livros, o bebé consegue “reconhecer os objetos [...], nomeá-los, [e isso] surge como uma conquista inicial” (Bastos, 1999, p.249).

Sou Educadora de Infância desde 2013 e ao longo dos anos este amor pelos livros alargou-se ao mundo mágico da Literatura Infantil. O gosto pela exploração de histórias com as crianças foi aumentando e, atualmente, manter-me informada sobre livros infantis que possam enriquecer a minha biblioteca pessoal, tornou-se algo que faço diariamente, com prazer. Porém, confesso que neste processo a parte mais prazerosa é, de facto, a partilha desta paixão com as crianças que por mim passam. Neste momento encontro-me a exercer as minhas funções em creche, com um grupo de bebés de 1 ano, e não há um único dia que passe sem uma (ou mais!) histórias.

É fascinante apresentar-lhes um livro novo, ver-lhes o brilho no olhar, atiçar-lhes a curiosidade, o encantamento. É, indubitavelmente, importantíssimo que esta criação de hábitos de leitura seja o mais precoce possível. “É indiscutível e de largo consenso a importância da prática da leitura de histórias, enquanto atividade regular, agradável e que proporciona interações e partilha de ideias, concepções e vivências” (Mata, 2008, p.78). Para além de permitirem um maior desenvolvimento da linguagem, da imaginação e criatividade, as experiências precoces com os livros potenciam o desenvolvimento da criança, enquanto futuro leitor.

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É para mim, enquanto Educadora, um enorme desafio mas que abraço com agrado, desenvolver nas crianças a curiosidade pelos livros, principalmente quando inicio um ano letivo com um grupo novo. Com o passar do tempo, tenho comprovado que “a forma como se lê ou conta uma história, tal como toda a exploração que a antecede ou lhe dá continuidade, são elementos importantes para o desenvolvimento da curiosidade e do interesse pelos livros e a leitura” (Mata, 2008, p.79).Para além de todos estes aspetos relacionados com a Hora do Conto, é também imprescindível que a criança tenha acesso a livros que possa manusear e explorar autonomamente. A criação de uma Biblioteca na sala foi precisamente um dos meus principais objetivos ao longo deste ano letivo, isto porque residia em mim umaenorme inquietação:não havia livros adequados à idade das crianças, que pudessem estar ao seu alcance e de livre acesso.

Os únicos livros que as crianças exploravam e com os quais tinham contacto eram os meus. Na impossibilidade da aquisição de livros por parte da instituição, equacionei diversas opções até que pensei nas famílias! Aproveitando o Dia Mundial do Livro (23 de Abril), sugeri às famílias que trouxessem um livro usado que pudesse ficar na nossa sala, a fim de podermos criar a nossa própria biblioteca. Surpreendentemente, a adesão foi quase total: foram muitas as famílias que participaram nesta iniciativa. Neste momento, temos uma pequena biblioteca que faz as delícias do grupo!

Como tal, e em jeito de conclusão, faço um apelo a todas as famílias e profissionais de educação: não descurem os livros no processo de aprendizagem da criança, mas antes incluam-nos. Estes deverão ser parte integrante do mesmo e acompanhar todas as etapas do seu desenvolvimento. As vantagens são inúmeras e os momentos de partilha conjunta … valem ouro!

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Bibliografia:Bastos, G. (1999). Literatura Infantil e Juvenil. Lisboa: Universidade Aberta.Mata, L. (2008). A descoberta da Escrita: Textos de Apoio para Educadores de Infância. Lisboa: Ministério da Educação (DGIDC).

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A escola ocupa grande parte da rotina diária na vida de uma criança e cabe ao professor, como estratega e orientador, criar um contexto de ensino/aprendizagem, onde os alunos tenham espaço para aprender, ser, estar, fazer e… ser criança.Aprender e gostar de aprender, exige alguns pré-requisitos, entre os quais destaco o bem-estar emocional, o ter tempo, oesforço, mas sobretudo, a motivação. E aqui, o papel do jogo/lúdico é fundamental. Este traduz-se numa maior motivação, que por sua vez, se reflete no empenho do aluno e no grau de investimento que aplica na construção da sua aprendizagem.Todos sabemos que as crianças de hoje são muito diferentes das que fomos e que, no geral, recebem muitos estímulos vindos do exterior nos mais diversos formatos.No pós-confinamento, com o regresso ao ensino presencial, mantivemos alguns desses jogos na dinâmica da sala e surgiu-me a ideia de projetar este recurso. Ocorreu-me de imediato o termo “Mixórdia” por se tratar de uma miscelânea de exercícios relacionados com os vários domínios da Matemática no 1.º ciclo (números, operações, geometria, medida, organização e tratamento de dados). Atrás da “Mixórdia”, rapidamente surgiu a expressão “Mixórdia de Matemática”, remetendo para as famosas Mixórdias de Temáticas, com o Ricardo Araújo Pereira, na Rádio Comercial (que tantas vezes me fizeram rir nas viagens de carro de casa para a escola).

Mixórdia de Matemática

Foi então assim, que foi criado orecurso, ao qual acrescentei umelemento que fez também algumadiferença na forma como os alunoso receberam, a “Roleta”!Esta roleta virtual também já usadano ensino à distância, e que faz todaa diferença na atenção dos alunos, éprojetada na parede da sala e"voilá", temos a nossa salatransformada num mega estúdio doconcurso “Mixórdia de Matemática”.

Escrito por: Flávia Louret

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Como qualquer programa televisivo, temos a nossa música de entrada, que claro está, adaptámos da original da Rádio Comercial: “Não há dúvida nenhuma, que se trata de uma… Mixórdia de Matemática!”. É sempre um momento de grande alegria e entusiasmo, como aliás é relatado noutras salas de aula que têm adotado este recurso.Após a música de abertura, os alunos aguardam que a roleta gire e que indique o número da pergunta que devem responder (de 1 a 12). Respondem e aguardam pelas próximas (expectantes e muito entusiasmados). E esta mixórdia é de facto um sucesso na nossa sala de aula! Os alunos pedem por ela, mostram-se muito motivados e, a par de tudo isto, é também um excelente instrumento de avaliação formativa, que nos permite a todos (professora e alunos) perceber em que ponto estamos.Conseguimos também, perceber facilmente, o que é necessário ajustar de modo a melhorar o desempenho de cada um.

Como refere Maria do Céu Roldão (2003), para avaliar é indispensável criar mecanismos de acompanhamento do processo para o ir entendendo, acertando e reorientando no sentido desejado.As “Mixórdias de Matemática” (e de Gramática) cumprem este propósito. Surge como “bússola”, (Valter V. Lemos, 1993) orienta e regula, não só o processo de aprendizagem dos alunos, mas também a própria atuação do professor.

A Escola somos Nós: Professores, Alunos e Comunidade Educativa. Façamos todos com que “a escola seja um lugar onde as crianças queiram ir!” (César Bona, 2017).

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Bibliografia:BONA, César; (2017).A Nova Educação.Lisboa. Objetiva.ROLDÃO, Maria do Céu (2003). Gestão do Currículo e Avaliação de Competências - As questões dos professores. Lisboa. Editorial Presença. Coleção Ensinar e Aprender.LEMOS, Valter, V., NEVES, Anabela, CAMPOS, Cristina, CONCEIÇÃO, José, M., ALAIZ, Vítor,A Nova Avaliação da Aprendizagem, o Direito ao Sucesso, Texto Editora, 3ª Edição, 1993.

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O papel da Educação Física nodesenvolvimento da inteligênciaemocional da criança.

Escrito por: Fábio Santos

Educar o bem-estar relacional paraaprender a conviver em sociedadeé uma das principais necessidades daEducação Física (EF) moderna.É premente que os professores sesuportem em novos modelospedagógicos que permitam instruir aconvivência pacífica e a transformaçãode possíveis conflitos em situações de comunicação e colaboração efetiva.É no desenvolvimento da inteligência emocional (IE) isto é, a habilidade de "reconhecer, interpretar e processar emoções na nossa relação connosco e com o outro" (Goleman, 1997), que assenta a base da educação deste bem-estar.É sabido que a genética e o envolvimento tomam parte neste processo mas a escola e a EF podem e devem ter um papel preponderante na educação de competências sociais que permitam aos jovens desenvolverem a sua IE.A vivência do medo, da incerteza, dafrustração edo conflito sãofundamentaispara a criançaentender estas emoçõeseaprender a geri-las deumaformasaudável.As emoções são uma fiávelfontede informaçãona decisão racional.De facto,a IE não ensina asuprimiremoções mas sim a aprender areconhecê-las, processá-las ecanalizá-las de umaforma quenão só beneficie o próprio como o todo.

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Enquanto disciplina, o envolvimento nas atividades curriculares de EF permite aos alunos:1. Conhecerem-se a si mesmos:O desenvolvimento da IE nos jovens permite-lhes ser mais autoconscientes e ter uma apreciação realista dos seus pontos fortes e fracos e como estes se apresentam nas nossas relações interpessoais. O feedback do professor e dos colegas torna-se, aqui, uma ferramenta fundamental no desenvolvimento desta autoconsciência podendo, inclusivamente, evidenciar blind spots emocionais.2. Conhecer os nossos mecanismos de defesa e o que os aciona: Como respondemos em situações conflituosas?A EF é uma montanha-russa de emoções, onde os alunos rapidamente podem ver o seu estado de espírito alternar entre extrema alegria (ex: marcar um golo, marcar um cesto) para frustração (ex: falhar um passe, falhar um cesto ou um golo). É neste vaivém de emoções que o professor e os colegas se tornam essenciais para que o aluno compreenda a origem destes sentimentos, no sentido de uma melhor gestão emocional.3. Desenvolver empatia:Ver as coisas do ponto de vista do outro ajuda-nos a entender os seus valores e as suas crenças. Para o professor, a leitura corporal dos seus alunos deve ser entendida como uma fonte de sinais não verbais que indicam o estado emocional da criança. Para os alunos, também se torna importante conhecer a manifestação não verbal dos seus colegas no sentido de empatizarem com o seu estado de espírito. Tempo para a análise de quais as emoções sentidas pelos alunos nas atividades realizadas assume extrema relevância.

4. Controlar as suas emoções:Há uma enorme responsabilidade na forma como interagimos com o outro. Ensinar as crianças que a conversa é uma ação de dois sentidos e que são necessárias duas pessoas para nos sentirmos frustrados, felizes ou chateados torna-se fundamental no contexto da aula. Cabe ao professor educar a criança a parar e refletir quando algo as faz sentir mal, reconhecendo e controlando as suas emoções.

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Bibliografia:Goleman, D. (1997). Emotional Intelligence. Bantam trade paperback ed. New York

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Os tempos que vivemos são desafiantes. O contexto atual de pandemia cujos efeitos em Portugal já se fazem sentir desde março de 2020 tem efeitos notórios ao nível da motivação e energia afetando toda a população escolar, nomeadamente (e principalmente) os alunos. Por esta razão, considero que o papel de um professor, nestestempos, reveste-se de uma importância ainda maior do que o normal. A aferição do nível de motivação dos alunos, tanto ao nível coletivo/turma como ao nível individual/aluno, é essencial para podermos fazer sobressair o melhor de cada um.É nesse sentido que tento ao máximo diversificar os projetos trabalhados e utilizar temáticas que facilitem a colaboração de cada aluno, para que a energia do coletivo possa beneficiar da energia individual.No âmbito da disciplina de Educação Visual e Tecnológica, os alunos do 6º ano da Escola Francisco de Arruda, em Lisboa, elaboraram o projeto “Sardinha Lisboeta”.

O projeto teve inspiração nas festas de Lisboae no concurso de sardinhas que este anocomemora dez anos. Este projeto teve por objetivo trazermais alegria, assim como proporcionar um ambiente mais festivo à sala de aula numa altura em que a pandemia teima em impedir as habituais celebrações da época.Numa primeira fase, com o recurso à Escola Virtual, os alunos visualizaram filmes e apresentações sobre o património Português, seguidamente, puderam fazer uma pesquisa mais específica sobre a cidade de Lisboa.

SardinhaLisboeta

Escrito por:Andreia Namora

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No processo criativo os alunos desenharam quatro ideias tendo como inspiração a cidade de Lisboa, selecionaram entre eles o seu favorito, para ser depois aplicado à sua “sardinha”. A ideia selecionada foi desenhada novamente e desta vez foi pintada com duas técnicas: lápis de cor e canetas de feltro.Para uma maior resistência e durabilidade, os desenhos das sardinhas foram colados em cartão. Todas as sardinhas foram furadas para ser colocado fio de pesca e serem depois colocadas num ramo de árvore que foi pintado com spray prateado. O produto final foi um móbile de sardinhas com o título “Sardinha Lisboeta”.O resultado final foi bastante positivo, os alunos estiveram muito motivados e envolvidos ao longo de todo o projeto.

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Quando ouvimos falar em Matemática, pensamos nos desafios que os alunos vão ter e nas dificuldades que vão sentir. Enquanto docente, tenho refletido muito sobre a importância demudar as minhas práticas de modo a proporcionar aos alunos aprendizagens significativas, criando o gosto pela Matemática.Com a minha turma atual, decidi largar alguns hábitos e envolver mais os alunos no processo de ensino/aprendizagem.Senti necessidade de ficar independente do manual. Por outro lado, percebi a importância de estar atenta às suas descobertas/curiosidades, privilegiando um ensino mais ativo e mais eficiente.No 1.º ano decidi sair da minha zona de conforto e não trabalhar os números, um a um e a partir do manual.As atividades propostas, logo no início do ano letivo, foram contextualizadas com o dia-a-dia.Numa das primeiras atividades perguntei à turma para que serviam os números e onde os podíamos encontrar. Foram tantas as respostas e as oportunidades para explorar esta questão.

Um olhar diferente para a Matemática

Organização e Tratamento de Dados surgiu muito cedo e proporcionou imensas atividades: i) o número de meninos e de meninas na sala; ii) os meses do ano; iii) os aniversários; iv) o número de letras em cada um dos seus nomes...Em vez de trabalhar os números, um a um, pedi-lhes para escreverem os números que conheciam e tive a resposta daquilo que acreditava: eles sabiam muito mais do que eles próprios imaginavam. Este foi um momento de reflexão sobre as limitações que provocamos nos nossos alunos, quando nos cingimos a utilizar um manual e não exploramos ou não aproveitamos os seus conhecimentos.O “Número do Dia” passou a ser uma rotina importante.Todo o material exposto na sala, criado a partir das aprendizagens feitas, foi criado por eles com a minha ajuda. Os cartazes passaram a ter um verdadeiro significado e o deslumbramento era visível nos seus olhos.

Escrito por: Sandra Ribeiro

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“Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.” (Freire,1996,p.25) Esta citação passou a ser uma das minhas favoritas e é isso que pretendo fazer no meu dia-a-dia.O ensino e a aprendizagem precisa de ser mais intencional e mais eficaz. Eles podem ajudar-nos nesta tarefa, ajudando-se uns aos outros em Tempo de Estudo Autónomo.“Há mais aprendizagem em aulas onde as tarefas, de forma consciente, encorajem o pensamento e o raciocínio de nível elevado do que naquelas em que as tarefas são habitualmente rotineiras e centradas nos procedimentos.“ (Stein, 1998)

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Referências BibliográficasStein, M. K., & Smith, M. S. (1998).Mathematical tasks as a framework for reflection: From research to practice. Mathematics Teaching in the Middle School, 3, 268– 275.Freire,P. (1996) -Pedagogia da autonomia-Saberes necessários à prática. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2010.

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A importância da Música nodesenvolvimento da Criançadesde a Gravidez

Escrito por: Cláudia Coelho

A música é uma poderosa ferramenta de educação, na medida em que potencia o desenvolvimento global da criança. Através do mais elementar canto, da percussão corporal, de tocar instrumentos, da dança, e da exploração orientada de ambientes e recursos sonoros diversificados, a música desperta e consolida aprendizagens: nos domínios da expressividade, linguagem verbal e não verbal, raciocínio lógico-matemática e psicomotricidade. Ao longo de quase duas décadas de ensino musical, a equipa Flauta Mágica tem constatado os seguintes efeitos da educação pela arte na infância: - melhora a atenção, concentração e memória; - aumenta a capacidade de retorno à calma para a absorção de conteúdos; - desperta para o belo, arte cultura e criatividade; - ajuda na construção da auto estima, confiança na expressão individual; - incentiva o respeito pelo outro e desenvolvimento de empatia e partilha; - permite melhorar a coordenação psicomotora; - desenvolve as capacidades musicais inatas.

Mas talvez a nossa missão mais importante não seja fazer pequenos músicos ou futuros excelentes alunos, mas sim contribuir para a formação de melhores seres humanos - e essa sim é a grande força da educação pela arte.

Neste contexto, a música é espaço privilegiado de afecto e de transcendência educativa, anulando barreira de comunicação numa linguagem universal que começa com sons e movimentos simples, com o despojamento do escutar e a valorização do que damos e recebemos também no silêncio. Continua depois no reconhecimento da presença de “mim” e do “outro”, como quem canta antes de saber falar e como se dança antes de saber andar.Porque somos todos música!

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Referências BibliográficasGORDON, E., A music learning theory for newborn and youth children, GIA Publications, 2001SUZUKI, S., Nurtured by love: the classic approach to Talent Education, Alfred Music, 1983WUYTACK, J., Música Activa: an approach to music education, Ed. Schott, 2002.

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Estudantes de hoje.Profissionais inovadoraspara o amanhã?

Escrito por: Inês Manso & Joana Reis

Somos a Joana e a Inês, alunas do Mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1º Ciclo do Ensino Básico na Universidade de Évora, licenciadas em Educação Básica pela Escola Superior de Educação de Santarém. Sim, possuímos a tão polémica dupla formação! Ter o privilégio de estudar a criança desde a idade dos 0 meses aos 10 anos, dá-nos uma noção contínua das suas necessidades. Independentemente da valência que um dia escolheremos lecionar, iremos sempre entender o percurso anterior ou posterior da criança.Este abundante leque de conhecimento despertou em nós diversas preocupações. Somos confrontadas com estratégias, recursos e atitudes que depois não se ajustam à realidade atual em muitaspráticas que observamos.Esta incoerência leva-nos a ficar nolimbo entre ser o que ambicionamos ou ficar na segurança que tantas vezes vemos. Para quem nos conhece, sabe que certamente iremos seguir a vertente mais desafiante. Ao longo da nossa caminhada tivemos a oportunidade de realizar diversos estágios, o mais marcante para ambas foi o de diferentes contextos.

Nesta opção de estágio compreendemos que um Educador/Professor não se cinge a uma sala de aula, e sim a um papel mais amplo.O estágio no Hospital Distrital de Santarém (Inês), na ala pediátrica, onde contactei com crianças desde internamentos prolongados a consultas. A realidade de um educador nesta posição é bastante diferente, todas as atividades têm de ser pensadas com base no bem-estar da criança e de lhe proporcionar um ambiente educativo.Foi emocionalmente desgastante, desafiador mas recompensador.O estágio no Estabelecimento Prisional de Tires (Joana) foi uma oportunidade de conhecer crianças que se encontram em reclusão com as mães.

Ser Educador no contexto prisional requer sensibilidade e conhecimento pela condição em que as crianças vivem, uma vez que as celas são fechadas às 19 horas e abertas na manhã seguinte. É fundamental realizar atividades que dêem a conhecer o mundo exterior.Com o fim do Mestrado em vista, preocupa-nos aquilo que não nos ensinam na Universidade. As nossas pré-dores de cabeça começam em pais, passam por crianças e métodos de ensino e acabam em futuros colegas que não tenham em vista os mesmos objetivos inovadores que nós! A nossa única certeza é que vamos com toda a motivação para fazer sempre mais e melhor, nunca parar de questionar e de refletir sobre a nossa prática e, acima de tudo, sermos sempre humildes para aprender com os outros. O receio vai sempre fazer parte da vida profissional, somos uma profissão em constante cresciimento.A nossa maior ambição, enquanto futuras Educadoras/Professoras, é a mais clichê possível! Como qualquer outra pessoa ousada, gostavamos de mudar o que está mal e centrar a educação nos seus principais protagonistas, os docentes e as crianças, criando um ambiente educativo onde se possa aprender brincando.

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Quando as crianças estão a aprender a fazer a relação das letras com os sons podem usar mais do que um canal sensorial em simultâneo. Veem as letras (canal visual), ouvem e dizem o nome da letra e o som que faz (canal auditivo), fazem um gesto associado e sentem o movimento da boca daquele som e, por fim, desenham a letra no papel, no ar ou na areia (canal tactil-quinestésico).Neste tipo de abordagem multissensorial, o cérebro activa em simultâneo diferentes vias para a tomada de conhecimento, emergindo novas formas de pensar, adaptando-se ao estilo e ritmo da criança.Desta forma, as crianças aprendem mais naturalmente, divertem-se e envolvem-se mais, desenvolvem competências criativas, de imaginação, melhorando a expressão das emoções, potenciando sensações mais positivas e uma forte motivação para aprender.

Aprendo à minha maneira!

adquirimos informação e conhecimento através deles.Cada criança tem a sua forma de aprender, podendo preferir ou privilegiar uma modalidade sensorial para o fazer.As crianças mais visuais ou imaginativas entendem melhor por imagens, as auditivas por informação dada pelo som e as táctil-quinestésicas precisam de experimentar, sentir, tocar e movimentar-se para aprender de forma dinâmica.Neste sentido, é importante que a aprendizagem recorra ao uso integrado de estratégias multissensoriais, envolvendo as diferentes modalidades, ajudando as crianças a consolidar e reter informação, de forma mais eficaz e duradoura, ficando armazenada mais tempo na memória de longo prazo ("armazém do conhecimento").

Escrito por: Joana Rombert

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Será que as crianças aprendem todas da mesma forma? Ou tem uma forma preferencial de aprender? Porque será que algumas são mais rápidas e outras precisam de mais tempo? E o método de ensino influencia essa aprendizagem?Desde que nascemos exploramos o mundo através dos sentidos: observamos, escutamos, cheiramos, tocamos, sentimos e movimentamo-nos. Aprendemos activamente pelo corpo, pelos diferentes sentidos e

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APONTAMENTO:Nos dias 2, 3 e 4 de julho irá decorrer o 2º Congresso Internacional de Consciência Sistémica.A Joana Rombert irá fazer parte dos 62 palestrantes deste Congresso.

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ENTREVISTA Nuno Pinto Martins

Autor do Livro:Educar pela Positiva

1- Quem é o Nuno Martins?Sou um pai de duas crianças, de 11 e 7 anos, que em 2015 decidiu mudar de vida e juntar duas paixões: a parentalidade e a comunicação.2- Como surgiu a disciplina positiva na sua vida?

3- Que exemplos podemos dar aos nossos alunos e filhos para ter adultos equilibrados e saudáveis?O poder do exemplo é tremendo, pois as crianças são espelhos e aprendem com aquilo que veem (sobretudo) e ouvem. Por isso, quanto melhores mensagens lhes passarmos, melhor. No entanto, não somos perfeitos e vamos errar muito pelo caminho. E os erros são fantásticas oportunidades para aprendermos. E para ensinarmos.4- Como devem os profissionais de educação (profs/educadores..)e os pais "remar para o mesmo lado"?Não é fácil que todos os agentes educativos estejam em sintonia… É curioso que uma das principais queixas dos educadores/professores são as famílias e vice-versa. Não deveríamos remar todos para o mesmo lado? Em teoria sim, mas na prática sabemos como é difícil. Se trabalharmos todos para o mesmo objetivo, mais facilmente obteremos resultados, mas muitas vezes achamos que basta fazermos a nossa parte.Quanto mais envolvermos os outros no processo educativo, mais benefícios tirará a criança disso. Como diz o velho provérbio africano: “é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”. Nas formações Educar pela Positiva vou tentando sensibilizar pais e educadores para esta temática, ajudando-os a refletir e a promoverem a mudança.

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Depois de ser alvo de um despedimento coletivo, há seis anos, senti que era a altura de procurar algo diferente do ponto de vista profissional, pois não me sentia realizado enquanto jornalista. Ao mesmo tempo, cresciam os desafios de ser pai e comecei a ler sobre o modelo educativo da disciplina positiva, pelo qual me apaixonei rapidamente.Decidi aprofundar o tema e fui estudar lá fora. Fiz uma primeira formação que me habilitou como Educador Parental em Disciplina Positiva e uma segunda como Educador de Disciplina Positiva em contexto de sala. Depois criei o projeto Educar pela Positiva (www.educarpelapositiva.pt) através do qual partilho aquelas “ferramentas” com pais e educadores.

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5- Como cativar e fortalecer os laços das famílias em tempos como o que vivemos agora, em que estivemos todos dentro da mesma casa, mas com exigências de todos os lados e as relações em vez de ficarem mais fortes, estão mais sensíveis e cansadas?Acredito que são os gestos mais simples que fazem a diferença. Reservar diariamente um tempo especial para as crianças é essencial, mais importante do que a quantidade é a qualidade desse tempo, ou seja, o que fazemos com ele. Estar à mesa a jantar e a conversar, sem tecnologias, ou a leitura de uma história antes de dormir, são exemplos de momentos que podem servir para reforçar laços e criar boas memórias.6- Na sua opinião, o que acha que o confinamento veio ajudar, na perceção dos pais, relativamente ao trabalho dos professores e educadores dos seus filhos?Por um lado, creio que a maioria dos pais passou a valorizar mais o trabalho dos educadores e professores. Ao serem obrigados a estarem mais tempo fechados em casa com os filhos, perceberam como é difícil o trabalho em contexto de sala, ainda por cima a gerir grupos relativamente grandes.7- Como implementa o modelo da disciplina positiva com pais e profissionais?Faço-o através de reflexões, dinâmicas poderosas de grupo e partilha de “ferramentas” e estratégias educativas que possam acrescentar às que já têm, ou até substituir algumas delas.

8- Como devemos "mergulhar” no mundo imperfeito dos miúdos?Antes de mais, aceitando que são seres imperfeitos. E nós, adultos, também. Queremos ser pais e educadores perfeitos e exigimos a mesma perfeição das crianças. Elas não podem falhar, senão lá estamos nós muitas vezes para gritar, castigar ou bater… É importante introduzir alguma flexibilidade nas relações, eliminando a culpa que sentimos no dia a dia. Não é fácil, mas é possível. Baixar as expectativas pode ajudar, bem como o validar das emoções das crianças (o que não é o mesmo que validar os comportamentos).9-Que expressões podem os profissionais dizer no dia a dia de forma a transformar vidas e ajudar a criança a mudar a forma de reagir?A comunicação verbal e não verbal é decisiva. Quando gritamos com uma criança, de dedo em riste e ar ameaçador, a mensagem dificilmente passará.O cérebro da criança entra em modo sobrevivência e só pensa numa palavra: resistir. A tendência também será para reproduzir o que vê, junto dos outros. Utilizar boas perguntas de curiosidade, por exemplo, pode ser transformador. Em vez de dizer “veste já o casaco que faz frio lá fora!”, perguntar “o que é que precisas de vestir para não apanhar frio lá fora?” pode fazer a diferença.10- O que quer dizer com os profissionais se “reconectarem antes de corrigirem”?Significa escolher o momento para conversar com a criança sobre o comportamento. Se o adulto não estiver calmo e a criança idem, dificilmente a conversa correrá bem. Depois de nos acalmarmos, é importante recuperarmos a conexão com a criança - permitindo que se acalme também - e só depois conversarmos sobre o sucedido.

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11- Qual a importância de cuidarmos de nós próprios?É essencial! Só cuidando de mim, poderei cuidar bem do outro. Se eu não me respeito, como posso respeitar que o outro me respeite? É fundamental encontrarmos espaço para nos nutrirmos, olhar para as 24 horas do dia e encontrar espaço - por mais pequeno que seja - para fazermos algo que nos permita sentirmo-nos bem connosco e, consequentemente, estaremos mais disponíveis para cumprirmos a nossa missão de educar.12- Qual o principal conselho/ensinamento que daria a professores e educadores?Não gosto de dar conselhos, acredito que os verdadeiros "especialistas" nos seus filhos ou educandos são os pais e educadores. Como costumo dizer nas formações, considero que sou uma espécie de buffet ambulante, opto por partilhar uma série de “pratos” com as pessoas - que são as “ferramentas” e estratégias da Disciplina Positiva - e digo-lhes que levem apenas aqueles pratos com os quais se identifiquem.13- Que palavras diria aos pais que, tal como o Nuno no passado, ficam assustados com os desafios que os seus filhos lhe causam e todas dúvidas que têm?Os medos e dúvidas são naturais, todos o sentimos. Falhar faz parte do processo. Educar é a mais difícil das missões, mas também a mais maravilhosa. E é uma maratona, não uma prova de 100 metros. Exige persistência, paciência, coerência, repetição, consistência e muito mais. É como plantar, temos de conhecer primeiro a planta e depois regá-la o

melhor possível. Não há garantias de que os frutos sejam maravilhosos, mas quanto melhor a regarmos, mais probabilidades temos de que sejam doces.14- Qual o seu projeto e como o divulga? E a quem se dirige?O projeto Educar pela Positiva é direcionado a pais,profissionais da educação e de saúde (educadores,auxiliares, monitores, técnicos, psicólogos, etc.) eestudantes (futuros educadores). Estádisponívelpara consulta no site emwww.educarpelapositiva.pt e nas redes sociais(Facebook e Instagram).15- Como surgiu a ideia de escrever o seu livro?Foi um convite da Bertrand Editora, que aceiteicom todo o orgulho. E assim nasceu o“Educar pela Positiva: um guia para paise educadores”.

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Tempo de Estudo Autónomono 1.º Ciclo

Escrito por: Daniela Ribeiro e Tânia Correia

Todos queremos que os nossos alunos sejam cidadãos críticos, reflexivos, cooperantes e conscientes do que se passa na realidade que os rodeia. É na escola que começa esta caminhada na tomada de consciência de todo o processo de aprendizagem, do que precisam para atingir os seus objetivos e quais são as expectativas relativamente ao currículo.Para isso, é fundamental organizar e explorar, com os alunos, um cenário pedagógico que promova, por um lado, atividades significativas e de treino de competências das diferentes áreas curriculares e, por outro, autonomia e cooperação.Assim, para dar resposta a estas necessidades e expectativas, surge o Tempo de Trabalho Autónomo e acompanhamento individual interativo (TEA), um dos pressupostos da sintaxe do Movimento da Escola Moderna.O T.E.A. é o momento privilegiado para o treino de capacidades, técnicas e competências curriculares, para a detecção de dúvidas e necessidades, para a experimentação e para se operacionalizar a diferenciação pedagógica.(Niza, 1998)Este momento diário da Agenda, destina-se, então, à realização de um conjunto de atividades/tarefas autopropostas, com vista o treino de capacidades e competências curriculares.

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Cenário PedagógicoA sala, encontra-se dividida por áreas, nomeadamente, português, matemática, estudo do meio e das ciências, expressões artísticas e de registos de organização. Em cada área estão disponíveis materiais estruturados e não estruturados, de fácil acesso aos alunos e que apoiam a realização das atividades.Assim, para além de promover a autonomia, são criadas condições para a diferenciação pedagógica.Para que as atividades decorram de forma mais autónoma possível, é fundamental que o ambiente pedagógico tenha, não só, os materiais manipuláveis, como também, esteja organizada com registos e respetivas listas de verificação.Os registos que dão suporte ao momento de Tempo de Estudo Autónomo (TEA), vão sendo, gradualmente, integrados na dinâmica de sala, consoante a necessidade e interesses do grupo ou o ano de escolaridade.O Plano Individual de Trabalho (PIT), constitui-se como o registo de excelência, sendo o grande motor de organização da diferenciação do trabalho individual, de acordo com as potencialidades e fragilidades de cada criança.É a partir do PIT que o aluno consegue diferenciar o seu trabalho, o tempo despendido em cada tarefa, o tipo de atividades/tarefas e os conteúdos programáticos a trabalhar, constituindo, assim, simultaneamente, um instrumento de planificação e de regulação. (Graves-Resende & Soares, 2002)

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Importa salientar que o momento de TEA, não se destina ao trabalho individualista, pois os alunos são incentivados a realizar atividades em parcerias, em que ajudam ou são ajudados por colegas, ou solicitam apoio aos professores.No entender de Pereira (2019), as parcerias de trabalho são importantes em dois aspectos: “tanto para os alunos que têm dificuldades como para os outros que pensam já dominar determinado conteúdo, para que estes tomem maior consciência das suas próprias dúvidas” (p. 88). Assim, “cada um sabe que faz parte do processo de todos e, por isso, disponibiliza-se para cooperar e põe o seu conhecimento, experiência e habilidade natural ao serviço dos outros, numa lógica de autêntica reciprocidade” (Louseiro, 2019, p. 227).

Esta dinâmica espelha uma organização cooperada, pois um aluno que domina mais um determinado tema pode trabalhar com um colega que precise de ajuda nesse campo e vice-versa. Esta ideia de cooperação está subjacente no Perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória (cf. Martins, 2017), uma vez que neste se defende,a concretização de estruturas de cooperação para uma formação global do aluno/cidadão.

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Para que o momento de TEA decorra de forma organizada e consciente, é necessário que existam regras de trabalho, combinadas com o grupo em Conselho Cooperativo, desde o início do ano e que, naturalmente, vão sofrendo alterações.Estas regras de trabalho e de avaliação construídas e discutidas em grupo, permitem uma melhor e mais assertiva auto e heteroavaliação do trabalho desenvolvido em TEA. Assim, garante-se que a avaliação feita pelos alunos aconteça de forma coerente e reflexiva, em que estes refletem sobre o trabalho realizado e nas propostas de trabalho a realizar para melhorar o percurso individual de cada um.Concluindo, com o TEA evidencia-se a operacionalização da diferenciação pedagógica, pois os alunos têm oportunidade de realizar as tarefas/atividades a que se propuseram, de acordo com o seu percurso individual e, ao mesmo tempo, veem as suas dificuldades de aprendizagem serem trabalhadas “através de um processo de ensino interativo, com vista a garantir o sucesso nas aprendizagens curriculares de cada um dos alunos” (Niza, 2000, p. 44) o que se traduz num clima de afetividade, entreajuda, cooperação e de valorização de saberes mútuos.

+info

Referências BibliográficasGrave-Resendes, L. & Soares, J. (2002). Diferenciação Pedagógica. Lisboa: Universidade Aberta.Louseiro, M (2019). O Conselho de Cooperação Educativa na gestão do currículo. Movimento de Escola Moderna, (7), pp. 222-229.Mestre, L. (2017). Gestão cooperada do currículo no 1.º ciclo – Um percurso. Movimento de Escola Moderna, (5), pp. 79-90.Niza, S. (1998). A organização social do trabalho de aprendizagem no 1.º Ciclo do Ensino Básico. In A. Nóvoa, F. Marcelino & J. Ramos do Ó (Orgs.), Sérgio Niza. Escritos sobre educação (pp. 553-379). Lisboa: Tinta da China.Niza, S. (2000). A cooperação Educativa na Diferenciação do Trabalho de Aprendizagem. Escola Moderna Nº 9 5ª Série.Nisa, S.(2007) As Práticas Pedagógicas contra a Exclusão Escolar no Movimento da Escola Moderna. Escola Moderna, N.º 30, 5.ª Série, pp 38-44.Pereira, C. (2019). A entrada na profissão no contexto do Movimento Escola Moderna. Escola Moderna, (7), 81-98.

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A Matemática, aquela vilã que quase todos detestam e temem, mas que ninguém sabe viver sem ela, pois tudo gira em torno dela, esta doce amarga personagem. Não sei porque raio esta “atriz” passou no casting de vilã e não de heroína, já que ela é como que um Deus, omnipresente e dá conta de tudo.Na minha vida escolar, desde o início, dei carta verde à vilã, não sei como nem porquê, mas entrou diretamente sem passar pela casa da partida. Acompanhou-me em papel de vilã, toda a minha escolaridade.

Para que este filme tenha uma boa receita de bilheteira, só é possível apelando ao sentimento, à entrega e à ligação com a vida real, para que cada menino e menina se sinta ligado a este mundo maravilhoso da matemática.Cada vez que introduzo um tema de matemática, faço sempre ligação com o mundo real, para que cada menino faça a ponte com o mundo que o rodeia, e perceba que a matemática está em tudo e é divertida de aprender.Recentemente aquando dos conteúdossobre a área, o perímetro, estimativas,dinheiro… e mais um sem númerode conteúdos que aparecem semserem oficialmente convidados, masque são sempre bem vindos, surgiua ideia de fazermos a remodelaçãodeuma casa.

Matemática...vilã ou heroína?

Escrito por: Raquel São Matias

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Se bem que ali pelo oitavo ano teve uns laivos de heroína. E isto porque este episódio foi escrito por uma argumentista fenomenal, professora Ofélia Pereira,que me levou a amar a suposta vilã do filme. Sentia nela uma paixão enorme pelo que fazia, o que até então nunca tinha sentido em nenhum outro professor de matemática.Posto isto, e sendo eu agora uma guionista, quero que os meus alunos sintam amor, muito amor, pela suposta vilã e não a odeiem, como eu sempre odiei.

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Surgiu então o projeto “Querido aluno, mudei a casa”. Construímos uma planta de uma casa, atribuímos medidas às paredes; descobrimos as áreas e os perímetros. Com estes dados, pavimentámos e pintámos toda a casa com diferentes tipos de piso, pesquisando catálogos de lojas da especialidade.Após esta remodelação a turma não estava satisfeita, faltava qualquer coisa, surgiu então a ideia de decorar cada divisão com um plafond previamente definido. Cada grupo empenhou-se ao máximo no seu projeto de decoração, apresentando no final, quase todos os grupos um grande remanescente de dinheiro.Percebi com esta atividade que tenho alunos que, para além de criativos, são também muito poupados.Estou em crer que ao longo deste filme, a matemática teve o papel de heroína, e que foi amada por todos, conquistando um grande like.

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A Obra de arte é um bilhete para viajar pelas estradas do nosso mundo interior.As emoções que nos transmite e que permite que as nossas crianças sintam e falem sobre elas, é uma oportunidade única que a escola pode e deve oferecer.A importância da Educação Artística nas escolas é inegável, pela aproximação à cultura e a outros mundos, pela educação estética, pelo desenvolvimento da criatividade que ocorre nas leituras de imagem.Ler imagens... as crianças têm essa capacidade no estado puro:Olham para “O Grito” com curiosidade e para a “Mona Lisa” com empatia, por todo o envolvimento que se cria, “A Rapariga do Brinco de Pérola” é um mistério que eles tentam desvendar e na adolescência acreditam conseguir descobrir a identidade secreta do “Banksy”.Porque é que o Munch Gritou?O que é que será que a Mona Lisa está a pensar? A Rapariga do brinco de pérola está vestida com roupas de empregada. Afinal, ela é a dona da casa ou trabalha nela?São questões que derivam das leituras de imagem, mas mais importante (pelo menos para mim) são as questões direcionadas ao grupo e que proporcionam grandes conversas cheias de neuro-estratégias, desabafos,partilhas emocionais cheias de significados, onde as crianças se sentem ouvidas,acolhidas pelo adulto e pelo grupo e com mais ferramentas emocionais:

O que te faz gritar?O que costumas pensar?Para que serve o dinheiro? O que é que é realmente importante e que o dinheiro não pode comprar?As respostas são deliciosas, cheias de vivências de uma vida recheada de questões.É tranquilizador aproximar os grupos de uma ferramenta, que para além de toda a ação formativa e técnica que comporta, e essa sim, é de fácil acesso, basta ir ao wikipédia, é também uma fonte de conversas pessoais, que aproximam humanos aos seus sentimentos, que mais do que nomeá-los, permite conversarmos sobre eles.É reconfortante termos alguém com quem podemos conversar sobre dúvidas e inquietações.

A obra de arte como viagem...

Escrito por: Rita Rovisco

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E depois temos a parte da exploração dos materiais e das técnicas. A liberdade total e completa, onde a Criatividade comanda todas as ações. Este contacto com a obra de arte é uma aproximação real, pura e fidedigna sem comandos. É um abraço que damos a alguém sem dizermos “Estou a abraçar-te!”. Brincar com materiais é a vida das nossas crianças, encher e despejar, misturar tons e cores, rasgar e colar… todas as ações vinculadas à prática artística, que de tanto se repetirem, dão asas à criação, um dos pilares do bom desenvolvimento humano: Criar!No fundo, a humanidade evoluiu (em muitos aspectos) graças às criações de grandes inventores, artistas, cientistas, etc…A Criatividade é fonte de felicidade na vida do ser humano, criar!Expressão: Eu sou!Numa fase de formação tão importante das nossas crianças, os seus corpos sedentos de movimento, precisam de o concretizar. O desenvolvimento humano faz-se em equilíbrio: corpo, emoções e mente.O corpo dança, coreografa, conhece, percepciona, mergulha, mistura e sente.Sente através da sua expressão bidimensional e tridimensional também. A escultura é tantas vezes esquecida e na Viagem pela Arte, é lhe atribuída uma sessão mensal: materiais de fim aberto, reutilizáveis, brincalhão (depósito de brinquedos velhos), material reciclável, plásticos, madeiras, metais, tudo serve para deixar ao encontro da criatividade das nossas crianças. Muitas vezes nem há produto, só registo fotográfico.

partilhas emocionais cheias de significados, onde as crianças se sentem ouvidas, acolhidas pelo adulto e pelo grupo e com mais ferramentas emocionais:O que te faz gritar?O que costumas pensar?Para que serve o dinheiro? O que é que é realmente importante e que o dinheiro não pode comprar?As respostas são deliciosas, cheias de vivências de uma vida recheada de questões.

De há dois anos para cá, com o projeto Tutor Lab, ateliers de expressão artística para todas as idades, verifiquei que as crianças de 1.º e 2.º ciclos apresentam a mesma necessidade de exploração dos materiais e de expressão que as crianças de creche e jardim de infância.

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Comecei por programar oportunidades de atividades com materiais diferentes, dos quais sabia que não tinham acesso na escola, mas com o mesmo princípio: corpo sentado e limite de espaço.No último Tutor Lab um dos adolescentes pediu-me para repetir uma das atividades que tinha adorado: Vik Muniz. Nessa sessão tínhamos realizado umas esculturas com alimentos (fora do prazo) como farinhas, massas, tintas e objetos do brincalhão. Fizeram em pequenos grupos e os resultados foram reveladores de grande expressão. Concluí que existe a necessidade quer da exploração de materiais diferentes, quer da expressão de ideias e crenças.A Obra de arte é o brincar com materiais, ideias, mensagens, expressão e a própria criatividade, é o passar do tempo consigo mesmo, tempo de qualidade. Penso que os adultos (professores, educadores e pais) deveriam ter também esta

oportunidade de criar através de diferentes formas de arte: pintura, escultura, fotografia e tantas outras. E como profissionais de educação entenderiam a verdadeira importância, o processo criativo, o prazer de criar.Relativamente às obras de arte a apresentar às crianças, e para quem diz que não “percebe nada de arte”, comecem por fazer vocês essa viagem, pela investigação: conheçam a vida de quem fez as obras, o contexto histórico, as emoções que estão por trás da tela.O todo faz a experiência valer a pena.Só assim faz sentido.Este ano começámos dois grupos de partilha e tem sido maravilhoso.Temos excelentes profissionais de educação a fazerem viagens incríveis com os seus grupos e a saírem de si e das suas limitações. Tenho assistido (com imenso orgulho) a partilhas de Educadores que criam verdadeiras exposições imersivas nas suas escolas, que permitem que as suas crianças possam mergulhar nas suas experiências e no seu brincar, inspirados em cores e traços que outrora um artista teve a ideia de concretizar.Somos todos artistas, como disse um dia Picasso. E não é que somos mesmo!Uma parte de nós adora criar, é assim que o mundo avança: com humanos criativos, com emoções resolvidas e alegria no coração.Criemos juntos, façamos a ponte entre a Arte e a Vida das nossas crianças!

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A partir do momento que as retenções passaram a ser apenas em casos excecionais, estamos a inverter o papel que devia ser intrinsecamente o da escola:promoção do esforço, do empenho e da dedicação, valorizando o mérito.Em vez disso optou-se por nivelar por baixo, desvalorizando os alunos dedicados e iludindo os outros de que trabalhem ou não trabalhem, aprendam ou não aprendam a transição é garantida.Urge questionar para onde queremos ir com este desvirtuar do papel da escola?Não conheço nenhum professor, e conheço muitos do pré-escolar à universidade, que queira o insucesso dos seus alunos, mas também não conheço nenhum, admitindo que até possa haver, que simpatize com a ideia de que em nome da inclusão se retire o mérito, o empenho, o esforço, a dedicação do processo de ensino-aprendizagem.

Na última década, mas sobretudo nos últimos anos, tem-se generalizado a ideia de que para os alunos aprenderem não necessitam nem de esforço, nem de empenho, nem de comprometimento. Não haverá narrativa mais errónea a transmitir, sobre o processo ensino-aprendizagem.Com este tipo de narrativa estamos a colocar, mais uma vez, os professores com todo o ónus do processo. Consequentemente temos visto os resultados, a desresponsabilização dos alunos e dos pais tem sido crescente, mas ao mesmo tempo o sucesso educativo aumenta, as taxas de retenção e de abandono escolar diminuem! Razões?O sistema tem vindo a ser preparado para retirar todo e qualquer tipo de mérito aos alunos que trabalham e se empenham, aos pais que assistem e participam na vida dos filhos em detrimento daqueles alunos que não se interessam, não se empenham cujos pais se demitem das suas funções.

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Aprenderexige esforço!

Escrito por: Alberto Veronesi

Alberto Veronesi, Mestre em Ciências de Educação – Supervisão Pedagógica, tem mais de 18 anos de experiência na área da educação, quer no ensino público, privado e IPSS, na sua maioria enquanto professor. Foi Coordenador de 1.º ciclo, orientador de estágios e supervisor pedagógico. Foi responsável pela coordenação de Projetos de Ação Social da Câmara Municipal de Lisboa. No exercício de atividade liberal é consultor pedagógico e promotor de Planos de Ação de Melhoria. Foi consultor no Projeto «Educar para uma Geração Azul» desenvolvido pela Fundação Oceano Azul e o Oceanário de Lisboa, em parceria com a Direção-Geral da Educação. É atualmente professor do Ensino Público e Colunista de Educação no Jornal Público e no Observador.

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Bem sei que a estatística sobre a formação dos portugueses não é animadora, “Adultos portugueses sem ensino secundário são mais do dobro da média europeia” , mas ainda assim e mesmo fazendo um esforço não consigo entender porque se opta sempre pela mediocridade. Não me parece que aumentar o nível de escolaridade a todo o custo sirva os intentos do país.Não é, com toda a certeza, baixando a fasquia que se conseguem melhores alunos agora e profissionais depois. Consegue-se estatisticamente uma melhoria, mas na prática fica tudo ainda pior.Só se combate as desigualdades com rigor e exigência em conjunto com medidas específicas de apoio, como por exemplo bolsas de estudo, tutorias, para evitar o abandono e incentivar o esforço, pois como se sabe o abandono escolar e a baixa escolaridades está diretamente relacionada com os meios socioeconómicos de origem do aluno/estudante. Não com narrativas erróneas e baixar de fasquia.O processo de ensino-aprendizagem exige esforço dedicação e empenho do, por mim chamado, triângulo pedagógico: aluno-pais-professor/escola. Só com uma estreita colaboração, empenho e esforço de todos intervenientes é que podemos, todos, aprender!A mensagem deve ser esta e não outra qualquer em nome de um qualquer palavrão.

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Germinação em Frasco - Educação Ambiental Estudo do Meio

Escrito por: Patrícia Oliveira

A escola é a principal responsável pela educação das novas gerações, tendo um papel fundamental na mudança de mentalidades e de métodos de ensino.Desta forma, é fulcral promover o contacto com a natureza, aproveitando sempre o conhecimento popular, para potencializar a sustentabilidade local e regional. (BOFF, 2017)Consciencializar os alunos para o desenvolvimento sustentável e para a preservação, tendo como objetivo primordial a compreensão do seu papel como membros da sociedade, é, também, cada vez mais urgente.

Isto porque responsabiliza-os pelas suas ações enquanto cidadãos, tanto na proteção do meio ambiente, como também nos aspetos sociais, económicos, éticos e até políticos. (SOARES; 2020)Todas as crianças têm mais facilidade em aprender quando são incluídas no processo da sua própria aprendizagem.Neste ponto, a abordagem da educação ambiental como algo transversal e significativo faz toda a diferença no percurso dos pequenos indivíduos que as escolas estão a formar, pois sensabiliza-os para esta problemática, levando-os a refletir sobre o assunto e sobre as atitudes que devem tomar no seu dia-a-dia e no seu futuro.Todos nós somos agentes da mudança!E, para que tomemos consciência e responsabilidade disso, nada melhor do que contribuirmos para o crescimento da nossa horta, trabalhando a interdisciplinariedade entre a Educação Ambiental e o Estudo do Meio (constituição das plantas).Tod@s nós já fizemos a germinação do feijãovezes sem conta, mas aqui vou-vos apresentara germinação no frasco, a única que nospermite visualizar o desenvolvimento integralda raiz e do caule.Preparados?

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A educação ambiental é uma temática que vem ganhando grande protagonismo, sendo extremamente importante provocar a curiosidade sobre o tema para suscitar a apreensão de novos saberes.

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Material:- 1 frasco de vidro- 2 ou 3 sementes (feijão, grão, milho…)- papel canelado- algodão- água

3º- Encher o frasco de algodão e molhá-lo, para que a que a água molhe também o papel e, desta forma, chegue à semente.4º- Ir humedecendo o algodão, de 3 em 3 dias, e registando o que está a acontecer.

Procedimentos:1º- Colocar o pedaço de papel canelado dentro do frasco, de forma a ficar “colado” ao vidro.

2º- Posicionar as sementes, separadas uma das outras, entre o papel e o vidro.

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Conclusão:Esta experiência permite-nos perceber como decorre o crescimento da planta.

A raiz cresce sempre em direção ao solo (em busca dos nutrientes) e o caule em direção contrária (à procura da luz).

Quando chegou a altura, transplantamos as plantas que tínhamos nos frascos para a nossa estufa, com aexpectativa de, um dia, virmosa provar as nossasleguminosas!E assim aliamos oestudo das plantascom a sustentabilidade!Distinguimos todas as partes constituintes das nossas plantinhas e contribuímos para a produção de alimentos biológicos da nossa horta.

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Das novidades ao Trabalho de Texto

Um contexto de aprendizagem da leitura e escrita no 1º ano

“Raquel hoje é segunda-feira! É dia de escrevermos as nossas novidades, não é? ” Neste artigo proponho-me descrever o trabalho realizado numa turma de 1.º ano desde a hora das novidades (experiências vividas pelos alunos) até ao desenvolvimento do trabalho de texto. Os pressupostos teóricos referem que a leitura é um ato essencialmente cognitivo sendo fundamental para o leitor compreender as suas funções. Mesmo antes de entrarem para a escola, as crianças estão rodeadas de linguagem escrita e este pode ser o ponto de partida para o professor compreender o contacto das conceptualizações que os seus alunos já têm relativamente à escrita, e qual deverá ser o caminho para proporcionar uma experiência significativa quer na leitura, quer na escrita.Para que todo este trabalho seja profícuo e condicione fortemente a prática da comunicação oral e escrita é fundamental olharmos para a organização da sala, a disposição de materiais, os momentos orientados na agenda semanal e os instrumentos de regulação da vida diária dos alunos, a par com todo o papel que o professor deve assumir neste caminho e a sua sensibilização para gerir aprendizagens e níveis de aprendizagem.

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Neste sentido, o momento escrito das novidades é realizado à segunda-feira mas todos os dias as crianças, sujeitas a inscrição, podem comunicar ao grupo as suas vivências e responderem a questões feitas pelos restantes sobre esses relatos.Assim, cada projeto e modelo pedagógico deve ter uma organização adequada aos objetivos que quer desenvolver e pretende alcançar.Na minha sala:i) as mesas estão dispostas em grupoii) existe um cantinho da leituraiii) as produções estão à vista de todosiv) há registos onde a turma pode escrever diariamentev) os alunos podem levantar-se para escreverem quando quiserem e isso é acordado no Conselho de Turmavi) as propostas são construídas, na sua maioria, a partir de vivências e interesses dos alunosvii) nos 5 primeiros minutos do dia, os alunos podem “colocar a conversa em dia” – chamo-lhe gossip matinal.

Escrito por: Raquel Janeiro

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Nenhum de nós tem dúvidas sobre a necessidade das crianças, no 1.º ano, falarem sobre um determinado acontecimento. Contudo, isso é muitas vezes feito quando o aluno está sentado no seu lugar e tem oportunidade para se exprimir.É importante alargar estes momentos e dar aos alunos um espaço e tempo destinado para esse mesmo efeito.Todos os alunos têm oportunidade de comunicar a sua novidade à turma. Disponho folhas A3 no quadro e à medida que o aluno vai falando vou registando a novidade à sua frente e do grupo.Se alguns alunos já escrevem algumas palavras deixo lacunas para que essas palavras sejam escritas, estando as mesmas disponíveis nas produções espalhadas pela sala, sendo os próprios alunos a quererem escrevê-las. No final, lemos todas as novidades e fazemos descobertas (palavras iguais, palavras escondidas noutras palavras,...)

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Passadas umas semanas, partimos desta rotina para o trabalho de texto onde cada um dos alunos tem a oportunidade de ler a sua novidade e os colegas, através de voto, escolhem o relato que querem “esticar” ou desenvolver e fazem perguntas ao aluno (autor) escolhido. As respostas são escritas e através das mesmas, em grupo, elaboramos um texto. Nesta fase tento privilegiar a análise e reflexão sobre o texto e linguagem utilizada.

No passo seguinte, individualmente, os alunos escrevem/copiama respetiva novidade e realizam o desenho.

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Surge aqui uma oportunidade ímpar para orientarmos os alunos, uma vez que eles precisam de tempo para reparar, relacionar e observar grafemas e fonemas.A maioria das descobertas são de natureza variada: i) palavras iguais ii) palavras contidas noutras iii) letras parecidas, se tivesse mais um risco ou uma perna aquelas palavras eram iguais iv) palavras em que mudamos apenas uma letra e ficam iguais/diferentes v) conjunto de grafemas que, se alterassem a posição, originariam palavras conhecidas vi) “bocadinhos” iguais vii) listas de palavras a partir de palavras e sons escolhidos.Por último, elaboro uma ficha de trabalho de texto baseada no texto construído. A mesma tem um caráter formativo e é a partir dela que são trabalhados novos conteúdos e são diagnosticadas dificuldades.

Quer o momento para melhoramento da novidade, quer o momento para realizar a ficha de trabalho de texto associada estão sempre salvaguardados na gestão e organização da agenda semanal ou seja, os alunos sabem a que dias se realizam e quais são as rotinas incutidas desde o início de ano letivo até ao seu final. Todas as mudanças realizadas são discutidas e decididas por todos.Há metodologias de ensino de leitura que propõem uma sequência na apresentação de fonemas pois, de acordo com a teoria que os sustenta, isto é justificado por haver sons mais fáceis do que outros.Na minha prática, e como foi aqui descrito, tento partir sempre dos interesses dos alunos sendo a ordem do aparecimento dos fonemas a ordem com que são descobertos pelos alunos. As crianças precisam de se confrontar com diferentes situações, terem tempo de observar, comparar e relacionar a fim de aprenderem. Uma sistematização precoce e uma orientação excessiva do processo, por parte do professor, pode abafar a capacidade de descobrir e criar. Todo este trabalho é baseado numa metodologia que construo à medida que os alunos vão desenvolvendo as suas aprendizagens. É diferente de ano para ano e não consigo seguir apenas um só método ou teoria.Quando me perguntam que método sigo a resposta é, há muitos anos, “o MEU”! Considero, sim, fundamental que o trabalho realizado com os meninos tenha e faça sentido, a relação entre a linguagem oral e escrita, o tempo dado às descobertas por parte dos alunos e à envolvência que se cria para que esta metodologia seja exequível.E quantos aos erros... não se preocupem. Há tempo para os corrigir... o importante é que os alunos, durante este 1.º ano, desenvolvam o gosto pela escrita e leitura!

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pelas ruas da aprendizagem e do conhecimento.Não me bastava ter paixão, sabia que teria de ir mais longe, compreendê-los (conhecê-los) e acompanhar as mudanças necessárias com flexibilidade e assertividade, mas, acima de tudo, perceber qual o meu caminho enquanto professora, sem seguir “modas”, mas sim, por aquilo que me motivava. Mas como faria esse caminho, acreditando que queria fazer melhor?Inovar, transformar ou modernizar na sala de aula, não é algo novo nem recente na Educação, já vários pedagogos demonstraram os seus estudos. Já todos lemos sobre as perspetivas de Montessori, Freinet, Faria de Vasconcelos, Decroly, Dewey ou Sérgio Niza e na força e vontade com que cada um destes, defendia uma nova visão e reflexão para melhorar a Educação.

N’A Escola e a Sociedade, Dewey (1900/1990: 166-167) marcou o papel da experiência, na aprendizagem da criança: “A motivação que mantém a criança no trabalho e desenvolvimento em casa deverá ser aquele usado na escola, de modo que ela não tenha de adquirir outro conjunto de princípios de ação pertencentes exclusivamente à escola – separados daqueles da experiência da criança.” O sistema educacional, como todos sabemos, tem passado por muitas transformações relativamente à prática didática e pedagógica. Há alguns anos atrás o professor tinha a “autoridade” sobre os seus alunos, uma vez que era considerado o “portador do saber”. Mas será mesmo assim? De acordo com, Paulo Freire (1996, p. 52), “ensinar não é transferir conhecimento”, algo em que acredito e tento fomentar, e portanto a aula não representa a transmissão do saber do professor para o aluno.

O JOGO como processo de aprendizagem na sala de aula

Escrito por: Sílvia Valério

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Quando escolhi ser professora do 1.º ciclo, sabia que tinha um grande papel em mãos. Sabia que a responsabilidade era enorme, ter uma sala cheia de meninos e meninas, com vivências diferentes e juntos teríamos um longo mas ímpar caminho

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Atualmente, muitas obras científicas defendem a ideia de que o professor tem o papel de auxiliar o aluno na criação do conhecimento, sendo tanto transmissor como receptor de informações e de conhecimento e na minha opinião, é o que mais faz sentido.Ao ensinar, o professor/educador está também a aprender, pois as experiências obtidas a partir da vivência com seus alunos trazem para a sua história pessoal novos factos e elementos. O professor cria relação com os seus alunos e isso é primordial no ensino, na Educação! Pois, como cita Paulo Freire, “Não se pode falar de Educação sem Amor.” porque a “Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo.”Neste processo, não podemos nunca esquecer o trabalho em equipa com os pais, que em conjunto darão contributos que serão o mais importante para a criança.Por isso, neste meu percurso, e por me sentir também motivada ao fazê-lo fui “bebendo” o melhor de cada estilo educativo que conhecemos hoje em dia, entre os quais: Montessori, Reggio Emilia, Movimento da Escola Moderna ou até mesmo High Scope e adotei dentro de sala o que me faz sentido para que os “alunos de hoje” adquiram o conhecimento. Sabendo, é claro, que neste caminho também abraçamos a aprendizagem com outros professores,terapeutas e

psicológos, colegas de trabalho extraordinários que nos trazem novas visões e formas de trabalhar, tal como António Nóvoa (2009 b: 30) expressa sobre a arte de ensinar.“Ser professor é compreender os sentidos da instituição escolar, é integrar-se numa profissão, aprender com os colegas mais experientes. É na escola e no diálogo com os outros professores que se aprende a profissão. O registo das práticas, a reflexão sobre o trabalho e o exercício da avaliação são elementos centrais para o aperfeiçoamento e a inovação. São essas rotinas que fazem avançar a profissão.”Mas o que fazer para que o professor e os alunos se sintam motivados, neste caminho?Acima de tudo, temos de acreditar no que estamos a fazer, seja qual for a forma, ou caminho que seguimos.Não podemos ensinar algo aos nossos alunos que não nos sentimos confiantes, ou o qual não nos faz sentido. Caso contrário, não estaremos a mostrar paixão pelo que fazemos ou explicamos e, consequentemente, isso trará dúvidas na execução ou compreensão.

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Durante esta travessia, e por gostar de ensinar através de jogos, tenho construído uma variedade de atividades multidisciplinares que tentam provocar o(s) aluno(s). Inicialmente faço uma provocação para os colocar a pensar e refletir sobre algo e, em seguida, questiono o que poderá a atividade trazer para o seu conhecimento, depois disso, verificamos a atividade e desenvolvemo-la para atingir uma conclusão, em grupo, numa “autoformação cooperada” como Sérgio Niza defende. O “JOGO” no meio das metodologias ativas da aprendizagem é para mim uma excelente forma de motivar e transformar as nossas salas de aula. Na minha opinião desenvolver jogos na sala de aula é uma forma de usar estrategicamente os “elementos pedagógicos”, para motivar os alunos e alcançar o objetivo curricular proposto, bem como uma excelente maneira de chegar aos diferentes “tipos de alunos” que temos na sala de aula. Segundo Kolb:

O JOGO é um processo e não um momento único. Assim, tem de haver intenção no caminho da aprendizagem e criar alguma magia pelo meio para que aprender seja enriquecedor e memorável. Como elaboro as minhas atividades?(Quero referir, que tal como os nossos alunos aprendem de forma cooperada, também nós professores desenvolvemos melhor a nossa prática, se o fizermos; portanto, todos estes passos que de seguida apresento são um trabalho apoiado, numa grande equipa da (minha) comunidade educativa, e que me suporta esta possibilidade extraordinária de desenvolvimento pessoal e profissional)1 – Estabelecer os objetivos de aprendizagem:O plano de uma aula deve ser iniciado pelos objetivos, independente da forma como vamos fazer (método). Tudo é pensado para que o aluno alcance esse objetivo.2 - Definir os conteúdos a serem trabalhados:Faça uma lista dos conteúdos a trabalhar. A quantidade de conteúdos que queremos trabalhar nessa atividade depende do tempo que temos ao nosso dispor. Podemos planificar para uma aula específica, para uma semana de aulas, para um período, ou um ano letivo.

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3 – Organizar as atividades: Prepare atividades exploratórias, que desenvolvam os sentidos, que os provoque e faça refletir, que possam experimentar; que consigam trabalhar em equipa, que possam investigar, que cheguem a uma conclusão e verifiquem os resultados da sua experiência educativa e ainda que consigam criar algo com o que aprenderam.... 4- Estabelecer relação e feedbacks aos alunos: Transmita claramente o que os alunos devem fazer nos diferentes passos da(s) atividade(s) ou desafio(s); questione, apoie e incentive a saber mais e melhor, dê a possibilidade dos alunos darem respostas erradas e incentive o trabalho em equipa. Nas suas intervenções procure exemplificar, ser respeitador das diferentes opiniões dos alunos; oportuno; construtivo, objetivo e procure também ser desejado para que o aluno/grupo o procure. 5 – Escolher os recursos e ambiente para desenvolver a atividade: Agora com a ideia montada, escolha quais os recursos que o irão ajudar a atingir os seus objetivos. Pode utilizar recursos físicos construídos por si como jogos, cartazes, cartões, caças ao tesouro, pistas; orientadores; usar materiais manipuláveis; ou até mesmo recursos já existentes; como puzzles; cartas; jogos, livros…

6 – Incluir aplicações sempre que possível:Com o confinamento, vimo-nos obrigados, no ensino@distância (E@D), a utilizar diversas aplicações. Aplicações estas que são também uma mais valia, no presencial, por isso, sempre que possível planeie uma atividade mais divertida, mas com sentido, recorrendo às diferentes aplicações existentes, tais como: kahoot; wordwall; quizzes; edupuzzles, genially ou até mesmo slides; powerpoints; roletas… para mais aplicações aceda a este padlet que criei e partilhei, na minha página do Instagram, (um trabalho de todos e para todos) e onde irá encontrar diversos recursos de apoio. E se a "[...] criatividade é uma característica intrinsecamente humana [...] existem algumas características que indicam o ato criativo. São elas a originalidade, a flexibilidade, a produtividade, a elaboração, a análise, a síntese, a abertura mental, a comunicação, a sensibilidade para os problemas e a redefinição." (Carneiro, 2013, p. 137) então, estamos no caminho certo!O Instagram, como outras aplicações têm exponenciado um “boom” de partilhas entre professores/educadores de diversas áreas e níveis de ensino e essa partilha tem sido uma mais valia para todos nós! Que continuemos assim, por muito tempo! Juntos somos melhores!Pela Educação, pelo Futuro e Evolução!

+info

Referências BibliográficasCarneiro, M. A. B.Criatividade: potencial a ser desenvolvido em profissionais da educação infantil. In: Suanno, M. V. R.; Dittrich, M. G.; Maura, M. A. P. (Org.).Resiliência, criatividade e inovação: potencialidades transdisciplinares na educação.Goiânia: UEG; América, 2013.Decroly, Ovide (2009).Le programme d’une école dans la vie. Paris: Fabert.Dewey, John (1990).The school and society: The child and the curriculum. Chicago: The University of Chicago Press.Freire, Paulo (1997).Pedagogia do Oprimido.Rio de Janeiro: Paz e Terra.Kolb, DA (1984). Aprendizagem experiencial: Experiência como fonte de aprendizado e desenvolvimento. Nova Jersey: Prentice-Hall.Montessori, Maria (2017).A descoberta da criança: Pedagogia científica. Campinas: Kirion. (Original work published 1926)Niza, Sérgio (2012).Escritos osbre a Educação, Lisboa: Tinta da ChinaNóvoa, António (1995).Profissão professor. Porto: Porto Editora.

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Os 4 C´s para o último mês de aulas

Escrito por: Joana Magno

Estamos a um mês das aulas acabarem, depois de mais um ano, bem atípico, com quarentenas, isolamentos, professores e alunos a darem o seu melhor (que muitas das vezes parecia não ser suficiente) e com muita incerteza à mistura…. Tudo isto resultou num alargamento do calendário escolar que pouco ou nada contribui para a recuperação do que ficou para trás, mas que mantém professores e alunos na escola, numa altura em que todos já anseiam pelas tão aguardadas férias.Feita esta breve reflexão, lembrei-me que os tão aclamados 4 C´s nos podiam ajudar, embora estes não sejam exatamente os que estarão a pensar. Passo a esclarecer: Criatividade, Consciência, Calma, Coragem são os 4 C´s que eu deixo como sugestão a seguir nesta última fase do ano letivo 2020/2021. Vamos abordar cada um deles!

Criatividade: É fundamental, num mês em que miúdos e professores já deitam conteúdos pelos olhos. Desta forma, as aulas precisam de ser mais criativas do que nunca. Apostaria no espaço exterior, jogos em sala, momentos em que os alunos possam fazer o que gostam e sempre que possível umas saídas ao espaço envolvente da escola para passeios sobre rodas, piqueniques e contemplação. E claro, muita brincadeira. Mais do que nunca as crianças precisam de brincar e deixar de estar dias inteiros sentados e fechados em salas de aula.Consciência: É bom termos presente que a nossa motivação e ritmo, nesta fase, já não são os mesmos que num início de ano. Então, planearmos os dias de acordo com a nossa condição do dia é fundamental. Less is more. Planeemos semanas mais leves, sempre com tempo para momentos não dirigidos, isto é, contemplando momentos que já não exijam tanto empenho intelectual, mas que proporcionem aos alunos e a nós professores bem-estar. Sugiro tudo o que esteja relacionado com Expressões Artísticas: cânticos, dança, teatro, pinturas com aguarelas e até plasticina. Há algo mais relaxante que amassar e utilizar a imaginação? O ler em 10 minutos, momento em que todos leem autonomamente, incluindo o professor, também pode ser um ótimo momento de descontração coletivo onde professores e alunos partilham o silêncio, os seus gostos literários e praticam a leitura de forma lúdica.

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Calma: O ano já vai longo, as interrupções letivas foram muito curtas e o calor já não ajuda muito. Os comportamentos dos alunos começam a estar mais desafiantes, porque eles próprios já revelam alguma saturação da rotina da escola e já estamos todos a gritar férias. Assim, ter um adulto calmo ao seu lado é o que as crianças mais precisam nesta fase para se autorregularem, gerirem o seu cansaço e até algumas frustrações que vão surgindo.Como cultivarmos a nossa calma enquanto professores?Não nos envolvermos nos estados emocionais dos alunos. Enquanto adultos temos capacidades de regulação emocional que as crianças não têm. Quando estamos na posse desta informação, compreendemos que um estudante para aprender a autorregular-se precisa de ter o modelo de um adulto que o sabe fazer. Assim, quando sentimos que estamos a ser desafiados pelo comportamento de um aluno conectarmo-nos com ele olhos nos olhos ou através do toque pode ajudar. Tentar perceber que necessidade está por trás do comportamento que nos está a desafiar para a podermos atender e termos presente que o comportamento é o comportamento e não a criança, também nos ajuda a encontrar mais tranquilidade quando as situações assim o pedirem.Podemos também questionar-nos: será que o aluno precisa de mais conexão com o professor e por isso precisa de estar num lugar mais próximo dele? Mostrar empatia e dizer com calma o que queremos que o estudante coopere connosco também facilita. Oferecer-lhe escolhas. Por exemplo, percebo que estás cansado, podes fazer um desenho e depois regressas à tarefa de Matemática.

Coragem: Somos professores guerreiros, que nos adaptámos às situações mais adversas, que saímos da nossa zona de conforto pedagógico e que de um dia para o outro começámos a dar aulas, totalmente online, com crianças desde o pré-escolar ao secundário e mesmo assim não desmoralizámos. Precisámos de coragem para que os nossos alunos continuassem a ter aulas, ainda que num formato bem diferente do que conhecíamos. Então, vamos manter esta coragem até ao último dia e procurar o que nos move enquanto professores: a felicidade, a nossa e a dos nossos alunos, motivação, entusiasmo, amor ao aprendizado e uma paixão enorme por crianças, pois nos dias que correm só professores apaixonados conseguem acordar e deitar-se sabendo que é sua missão enriquecer e inspirar a vida dos seus alunos estando conscientes que essa riqueza e inspiração começa em primeiro lugar com eles próprios.Está quase a acabar. Que os 4 C´s nos sirvam de inspiração para estes últimos dias. Um excelente final de ano para todos nós.Brindemos ao verão!

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Em amenacavaqueiracom... Daniela Vieira

Tenho4 anos de serviço e dou aulas em Lisboa, no ensino privado. 1 - Na sala de aula não abdico... de manter uma harmonia calma e descontraída e ao mesmo tempo repleta de momentos de verdadeiras aprendizagens.Não abdico de construir atividades com base nas necessidades dos meus alunos, afinal eles são os principais intervenientes no processo de ensino-aprendizagem.2 - Nos meus tempos livres gosto... de ler, ouvir música e cantar e ver séries da NetFlix (quem não gosta de uma boa série?!)Gosto muito de ler artigos técnicos que me permitam aprender e descobrir coisas novas sobre a minha profissão.Como cresci perto do mar, uma das coisas que não abdico, seja verão ou inverno, é de fazer passeios junto ao mar. Traz-me muita tranquilidade.3 - Vou buscar inspiração... a outros professores que desenvolvam as suas práticas com base naquilo em que acredito que deve ser o ensino para mim. Por vezes, pesquiso no Pinterest também.

4 - Adoro trabalhar com os meus alunos....em Projetos. É maravilhoso, vê-los entrar no primeiro ano sem conseguir perceber como é que se organiza e constrói um projeto e vê-los chegar ao final do ano a conseguir fazer de forma quase autónoma um projeto.Também éespetacular ver como já estão mais organizados em conselho de turma, como já praticamente não interfiro e como fazem propostas maravilhosas para melhorar o nosso trabalho, nas aulas.5 - Daqui a 10 anos vejo-me... talvez a dar aulas no ensino público ou ter o meu próprio negócio.6- Facto curioso sobre mim... não consigo gostar de gomas e chocolates só de negro para cima.7- Aposto que não sabiam ... que antes de entrar para o curso de educação, estive no curso de Engenharia Química, no ISEL (ahaha, sim tudo a ver...)8- A minha viagem de sonho é ... a primeira de todas era ir a Londres que já concretizei. Agora quero muito ir a um destino de praia paradisíaco.9- A área mais desafiante de ensinar é... a matemática. Adoro ouvir os seus " ahhhhh já percebi", os " adoro esta matéria tão gira!" e ouvi-los a expor os seus raciocínios.

@teacherlife_rocks

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daniela - @teacherlife_rocks

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LIVROS DO MÊS...

Aqui está uma novidade irresistível e muito divertida que ilustra na perfeição a vida de quem tem um bebé! Da mesma autora da "Verdade sobre os avós", este livro promete arrancar gargalhadas sonoras e derreter os corações de toda a família.

Este é um livro musical muito cativante com músicas Populares Portuguesas. Para ouvirem as músicas as crianças têm de carregar no botão treinando também o tacto, e com as músicas aprendem novas palavras, estimulando o vocabulário e a memória. Além disso, tem umas ilustrações lindas, como resistir?

Jaime descobre a magia das palavras à sua volta e como elas têm tanto poder para nos ligar ou transformar.Um livro a não perder!

Quando a vontade de fazer chichi é incontrolável e não se encontra uma casa de banho por perto pode ser uma situação desesperante! E já sabem, devemos beber pelo menos 1,5L de água por dia e fazer chichi regularmente, não aguentem até ao limite porque não é saudável para o sistema genito-urinário.

Sugestões de Sílvia Pimenta. |@bookaholicmum

Duas gralhas estão a construir um ninho e decidem levar outras coisas que certamente lhes irão fazer falta. Entre meias, relógios de cuco e até um carro, o ninho fica tão pesado que...CATRAPUM! Será que no meio desta confusão conseguem encontrar os ovos!?

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Próxima Edição...

EmSETEMBRO!

Boas férias!Aproveite os próximos meses paracolocar a leitura em dia.

Esperamos por si.

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OBRIGADA!