Want to make creations as awesome as this one?

Recurso produzido para assinalar o 47.º aniversário do 25 de Abril e que reúne canções relacionadas com este acontecimento..

More creations to inspire you

MARTIN LUTHER KING

Interactive Image

GNU AGED 10!

Interactive Image

NIAGARA FALLS

Interactive Image

STONEHENGE

Interactive Image

MARS

Interactive Image

THANKSGIVING GENIALLY

Interactive Image

COUNTING SHEEP

Interactive Image

Transcript

A cantiga é uma armaLetra: José Mário BrancoIntérprete: Grupo de Ação Cultural (GAC) – Vozes na Luta

A cantiga é uma armaLetra: José Mário BrancoIntérprete: Grupo de Ação Cultural (GAC) – Vozes na LutaA cantiga é uma armaeu não sabiatudo depende da balae da pontariatudo depende da raivae da alegriaa cantiga é uma armade pontariaHá quem cante por interessehá quem cante por cantarhá quem faça profissãode combater a cantare há quem cante de pantufaspara não perder o lugarO faduncho choradinhode tabernas e salõessemeia só desalentomisticismo e ilusõescanto mole em letra duranunca fez revoluçõesa cantiga é uma arma(contra quem?)Contra a burguesiatudo depende da balae da pontariatudo depende da raivae da alegriaa cantiga é uma armade pontariaSe tu cantas a reboquenão vale a pena cantarse vais à frente demaisbem te podes engasgara cantiga só é armaquando a luta acompanharUma arma eficientefabricada com cuidadodeve ter um mecanismobem perfeito e oleadoe o canto com uma armadeve ser bem fabricado

A cantiga é uma armaLetra: José Mário BrancoIntérprete: Grupo de Ação Cultural (GAC) – Vozes na LutaA cantiga é uma armaeu não sabiatudo depende da balae da pontariatudo depende da raivae da alegriaa cantiga é uma armade pontariaHá quem cante por interessehá quem cante por cantarhá quem faça profissãode combater a cantare há quem cante de pantufaspara não perder o lugarO faduncho choradinhode tabernas e salõessemeia só desalentomisticismo e ilusõescanto mole em letra duranunca fez revoluçõesa cantiga é uma arma(contra quem?)Contra a burguesiatudo depende da balae da pontariatudo depende da raivae da alegriaa cantiga é uma armade pontariaSe tu cantas a reboquenão vale a pena cantarse vais à frente demaisbem te podes engasgara cantiga só é armaquando a luta acompanharUma arma eficientefabricada com cuidadodeve ter um mecanismobem perfeito e oleadoe o canto com uma armadeve ser bem fabricado

A morte saiu à ruaIntérprete: José AfonsoLetra: José AfonsoMúsica: José AfonsoA morte saiu à rua num dia assimNaquele lugar sem nome pra qualquer fimUma gota rubra sobre a calçada caiE um rio de sangue dum peito aberto saiO vento que dá nas canas do canavialE a foice duma ceifeira de PortugalE o som da bigorna como um clarim do céuVão dizendo em toda a parte o pintor morreuTeu sangue, Pintor, reclama outra morte igualSó olho por olho e dente por dente valeÀ lei assassina à morte que te matouTeu corpo pertence à terra que te abraçouAqui te afirmamos dente por dente assimQue um dia rirá melhor quem rirá por fimNa curva da estrada há covas feitas no chãoE em todas florirão rosas duma nação

Canção para um povo tristeLetra e música:Vieira da SilvaIn: um disco que a PIDE apreendeu... 1969Canto o povo triste de quem soulouco em cantar para esqueceros sonhos tidos na manhã da vidasol de madrugada livre no morrerCanto a heroicidade conformadade quem chorando se atreve a cantarbarco perdido na prisão da vidaas velas rasgadas o leme a quebrarCanto a solidão a ocidenteligada a terra que nos viu nascera cobardia feita de oraçõesna doce esperança de poder morrerCanto o desespero fatalistade quem sofrendo se deixa ficarolhos cansados enxada na mãotrabalhando a terra que lhe vão roubarCanto o meu poema de revoltaao povo morto que não quer gritarque já são horas para ser felizque é chegado o dia de o medo acabar

Canto do desertorIntérprete: Luís CíliaOh mar… oh mar…Que beijas a terra,Vai dizer à minha mãeQue não vou p`rá guerra.Diz, oh mar, à minha mãe,Que matar não me aprazNo fundo quem vai à guerraÉ aquele que a não faz.Vou cantar a Liberdade,Para a minha Pátria amada,E para a Mãe negra e tristeQue vive acorrentada.Mas a voz do nosso povo,No dia do julgamento,Te dirá a ti, oh mar.E dirá de vento a vento,Quem são os traidores,Se é quem nos rouba o pãoOu se nós os desertoresQue à guerra dizemos «Não».

E depois do adeusIntérprete: Paulo de CarvalhoLetra: José NizaMúsica: José CalvárioQuis saber quem souO que faço aquiQuem me abandonouDe quem me esqueciPerguntei por mimQuis saber de nósMas o marNão me trazTua vozEm silêncio, amorEm tristeza e fimEu te sinto em florEu te sofro em mimEu te lembro assimPartir é morrerComo amarÉ ganharE perderTu vieste em florEu te desfolheiTu te deste em amorEu nada te deiEm teu corpo, amorEu adormeciMorri neleE ao morrerRenasciE depois do amorE depois de nósO dizer adeusO ficarmos sósTeu lugar a maisTua ausência em mimTua pazQue perdiMinha dorQue aprendiDe novo vieste em florTe desfolheiE depois do amorE depois de nósO adeusO ficarmos sós

Era de noite e levaramIntérprete: José AfonsoLetra: José AfonsoMúsica: José AfonsoEra de noite e levaramEra de noite e levaramQuem nesta cama dormiaNela dormia, nela dormiaSua boca amordaçaramSua boca amordaçaramCom panos de seda friaDe seda fria, de seda friaEra de noite e roubaramEra de noite e roubaramO que na casa haviaNa casa havia, na casa haviaSó corpos negros ficaramSó corpos negros ficaramDentro da casa vaziaCasa vazia, casa vaziaRosa branca, rosa fria…

Eu vim de longeAutor, compositor e intérprete: José Mário BrancoQuando o avião aqui chegouQuando o mês de maio começouEu olhei para tiEntão entendiFoi um sonho mau que já passouFoi um mau bocado que acabouTinha esta viola numa mãoUma flor vermelha na outra mãoTinha um grande amorMarcado pela dorE quando a fronteira me abraçouFoi esta bagagem que encontrouEu vim de longeDe muito longeO que eu andei pra aqui chegarEu vou pra longePra muito longeOnde nos vamos encontrarCom o que temos pra nos darE então olhei à minha voltaVi tanta esperança andar à soltaQue não hesiteiE os hinos canteiForam feitos do meu coraçãoFeitos de alegria e de paixãoQuando a nossa festa se estragouE o mês de Novembro se vingouEu olhei pra tiE então entendiFoi um sonho lindo que acabouHouve aqui alguém que se enganouTinha esta viola numa mãoCoisas começadas noutra mãoTinha um grande amorMarcado pela dorE quando a espingarda se virouFoi pra esta força que apontouE então olhei à minha voltaVi tanta mentira andar à soltaQue me pergunteiSe os hinos que canteiEram só promessas e ilusõesQue nunca passaram de cançõesEu vim de longeDe muito longeO que eu andei pra aqui chegarEu vou pra longeP´ra muito longeOnde nos vamos encontrarCom o que temos pra nos darQuando eu finalmente eu quis saberSe ainda vale a pena tanto crerEu olhei para tiEntão eu entendiÉ um lindo sonho para viverQuando toda a gente assim quiserTenho esta viola numa mãoTenho a minha vida noutra mãoTenho um grande amorMarcado pela dorE sempre que Abril aqui passarDou-lhe este farnel para o ajudarEu vim de longeDe muito longeO que eu andei pra aqui chegarEu vou p´ra longeP´ra muito longeOnde nos vamos encontrarCom o que temos pra nos darE agora eu olho à minha voltaVejo tanta raiva andar a soltaQue já não hesitoOs hinos que repitoSão a parte que eu posso preverDo que a minha gente vai fazerEu vim de longeDe muito longeO que eu andei prá aqui chegarEu vou pra longeP´ra muito longeOnde nos vamos encontrarCom o que temos pra nos dar

Eu vou ser como a toupeiraIntérprete: José AfonsoLetra: José AfonsoMúsica: José AfonsoEu vou ser como a toupeira (bis)Que esburacaPenitência, diz a hidra (bis)Quando há secaEu vou ser como a gibóia (bis)Que atormentaNão há luz que não se veja (bis)Da charnecaE não me digas agora (bis)Estás à esperaPenitência diz a hidra (bis)Quando há secaE se te enfias na toca (bis)És como elaQuero-me à minha vontade (bis)Não na tuaÓ hidra, diz-me a verdade (bis)Nua e cruaMais vale dar numa sargeta (bis)Que na mãoDe quem nos inveja a vida (bis)E tira o pão

Grândola Vila MorenaAutor, compositor e intérprete: José Afonso (Zeca Afonso)Grândola, Vila MorenaTerra da fraternidadeO povo é quem mais ordenaDentro de ti, ó cidadeDentro de ti, ó cidadeO povo é quem mais ordenaTerra da fraternidadeGrândola, Vila MorenaEm cada esquina, um amigoEm cada rosto, igualdadeGrândola, Vila MorenaTerra da fraternidadeTerra da fraternidadeGrândola, Vila MorenaEm cada rosto, igualdadeO povo é quem mais ordenaÀ sombra duma azinheiraQue já não sabia a idadeJurei ter por companheiraGrândola, a tua vontadeGrândola, a tua vontadeJurei ter por companheiraÀ sombra duma azinheiraQue já não sabia a idade

Hino da Confederação – G.A.C.Eu vi este povo a lutarPara a sua exploração acabarSete rios de multidãoQue levavam História na mãoSobre as águas calmasUm vulcão de fogoToda a terra tremeNas vozes deste povoMesmo no silêncioSabemos cantarPovo por extensoÉ unidade popularSomos sete riosRios de certezaVamos lá cantandoNo fragor da correntezaEu vi este povo a lutarPara a sua exploração acabarSete rios de multidãoQue levavam História na mãoA fruta está podreJá não se remendaSó bem cozidinhaNo lume da contendaNós queremos trabalhoE casa decenteE carne do talhoE pão para toda a genteAi, meus ricos filhosTantos nove mesesSaem do meu ventrePara a pança dos burguesesEu vi este povo a lutarPara a sua exploração acabarSete rios de multidãoQue levavam História na mãoAlça meu meninoVê se te arrebitasQue este peixe podreSó é bom para os parasitasSó a nosso mandoÉ que há liberdadeVamos lá lutandoP’ra mudar a sociedadeBandeira vermelhaBem alevantadaAi minha senhoraQue linda desfiladaEu vi este povo a lutarPara a sua exploração acabarSete rios de multidãoQue levavam História na mão

InquietaçãoAutor, compositor e intérprete:José Mário BrancoA contas com o bem que tu me fazesA contas com o mal por que passeiCom tantas guerras que traveiJá não sei fazer as pazesSão flores aos milhões entre ruínasMeu peito feito campo de batalhaCada alvorada que me ensinasOiro em pó que o vento espalhaCá dentro inquietação, inquietaçãoÉ só inquietação, inquietaçãoPorquê, não seiPorquê, não seiPorquê, não sei aindaHá sempre qualquer coisa que está pra acontecerQualquer coisa que eu devia perceberPorquê, não seiPorquê, não seiPorquê, não sei aindaEnsinas-me fazer tantas perguntasNa volta das respostas que eu traziaQuantas promessas eu fariaSe as cumprisse todas juntasNão largues esta mão no torvelinhoPois falta sempre pouco pra chegarEu não meti o barco ao marPra ficar pelo caminhoCá dentro inquietação, inquietaçãoÉ só inquietação, inquietaçãoPorquê, não seiPorquê, não seiPorquê, não sei aindaHá sempre qualquer coisa que está pra acontecerQualquer coisa que eu devia perceberPorquê, não seiPorquê, não seiPorquê, não sei aindaCá dentro inquietação, inquietaçãoÉ só inquietação, inquietaçãoPorquê, não seiMas seiÉ que não sei aindaHá sempre qualquer coisa que está pra acontecerQualquer coisa que eu devia perceberPorquê, não seiMas seiQue não sei aindaHá sempre qualquer coisa que eu tenho que fazerQualquer coisa que eu devia resolverPorquê, não seiMas seiQue essa coisa é que é linda

Liberdade Autor, compositor e intérprete: Sérgio GodinhoAbaixo o pão, habitaçãoSaúde e educaçãoAbaixo o pão, habitaçãoSaúde e educaçãoViemos com o peso do passado e da sementeEsperar tantos anos, torna tudo mais urgenteE a sede de uma espera só se estanca na torrenteE a sede de uma espera só se estanca na torrenteVivemos tantos anos a falar pela caladaSó se pode querer tudo quando não se teve nadaSó quer a vida cheia quem teve a vida paradaSó quer a vida cheia quem teve a vida paradaAíSó há liberdade a sérioQuando houverA paz, o pão, habitaçãoSaúde, educaçãoSó há liberdade a sério quando houverLiberdade de mudar e decidirQuando pertencer ao povo o que o povo produzirE quando pertencer ao povo o que o povo produzirViemos com o peso do passado e da sementeEsperar tantos anos, torna tudo mais urgenteE a sede de uma espera só se estanca na torrenteE a sede de uma espera só se estanca na torrenteVivemos tantos anos a falar pela caladaSó se pode querer tudo quando não se teve nadaSó quer a vida cheia quem teve a vida paradaSó quer a vida cheia quem teve a vida paradaAíSó há liberdade a sérioQuando houverA paz, o pão, habitação, saúde, educaçãoSó há liberdade a sério quando houverLiberdade de mudar e decidirQuando pertencer ao povo o que o povo produzirE quando pertencer ao povo o que o povo produzirViemos com o peso do passado e da sementeEsperar tantos anos, torna tudo mais urgenteE a sede de uma espera só se estanca na torrenteE a sede de uma espera só se estanca na torrenteVivemos tantos anos a falar pela caladaSó se pode querer tudo quando não se teve nadaSó quer a vida cheia quem teve a vida paradaSó quer a vida cheia quem teve a vida paradaAíSó há liberdade a sérioQuando houverA paz, o pão, habitação, saúde, educaçãoSó há liberdade a sério quando houverLiberdade de mudar e decidirQuando pertencer ao povo o que o povo produzirE quando pertencer ao povo o que o povo produzirA paz, o pão, habitação, saúde, educação...

Marcha do 25 de Abril(instrumental, em tempo de pandemia e confinamento)

O CharlatãoIntérprete: José Mário BrancoLetra: Sérgio GodinhoNuma ruela de má famaFaz negócio um charlatãoVende perfumes de lamaAnéis de ouro a um tostãoEnriquece o charlatãoNo beco mal afamadoAs mulheres não têm maridoUm está preso, outro é soldadoUm está morto e outro f'ridoE outro em França anda perdidoÉ entrar, senhoriasA ver o que cá se lavraSete ratos, três enguiasUma cabra abracadabraNa ruela de má famaO charlatão vive à largaChegam-lhe toda a semanaEm camionetas de cargaRezas doces, paga amargaNo beco dos mal-fadadosOs catraios passam fomeTêm os dentes enterradosNo pão que ninguém mais comeOs catraios passam fomeÉ entrar, senhoriasA ver o que cá se lavraSete ratos, três enguiasUma cabra abracadabraNa travessa dos defuntosCharlatões e charlatonasDiscutem dos seus assuntosRepartem-se em quatro zonasInstalados em poltronasP'rá rua saem toupeirasEntra o frio nos buracosDorme a gente nas soleirasDas casas feitas em cacosEm troca de alguns patacosÉ entrar, senhoriasA ver o que cá se lavraSete ratos, três enguiasUma cabra abracadabraEntre a rua e o paísVai o passo de um anãoVai o rei que ninguém quisVai o tiro dum canhãoE o trono é do charlatãoEntre a rua e o paísVai o passo de um anãoVai o rei que ninguém quisVai o tiro dum canhãoE o trono é do charlatãoÉ entrar, senhoriasA ver o que cá se lavraSete ratos, três enguiasUma cabra abracadabra

O Povo UnidoIntérprete: Luís Cília“De pé, cantar, que vamos triunfarAvançam já bandeiras de unidadeJá vão crescendo brados de vitóriaE tu verás teu canto e bandeira, florescerA luz de um rubro amanhecer,Milhões de braços fazendo a nova história.De pé, marchar, que o povo vai triunfarAgora já ninguém nos venceráNada pode quebrar nossa vontadeE num clamor mil vozes de combate nascerãoDirão, canção de liberdade;Será melhor a vida que virá.E agora, o povo ergue-se e lutaCom voz de gigante, gritando avanteO povo unido jamais será vencidoO povo está forjando a unidadeDe norte a sul, na mina e no trigalSomos do campo, da aldeia e da cidadeLutamos unidos pelo nosso ideal, sulcandoRios de luz, paz e fraternidadeAurora rubra serás realidadeDe pé, cantar, que o povo vai triunfarMilhões de punhos impõem a verdadeDe aço são, ardente batalhãoE as suas mãos levando a justiça e a razãoMulher, com fogo e com valorEstás aqui junto ao trabalhador.E agora, o povo ergue-se e lutaCom voz de gigante, gritando avanteO povo unido jamais será vencido!”

O que faz faltaAutor, compositor e intérprete: José AfonsoQuando a corja topa da janelaO que faz faltaQuando o pão que comes sabe a merdaO que faz faltaO que faz falta é avisar a maltaO que faz faltaO que faz falta é avisar a maltaO que faz faltaQuando nunca a noite foi dormidaO que faz faltaQuando a raiva nunca foi vencidaO que faz faltaO que faz falta é animar a maltaO que faz faltaO que faz falta é acordar a maltaO que faz faltaQuando nunca a infância teve infânciaO que faz faltaQuando sabes que vai haver dançaO que faz faltaO que faz falta é animar a maltaO que faz faltaO que faz falta é empurrar a maltaO que faz faltaQuando um cão te morde a canelaO que faz faltaQuando a esquina há sempre uma cabeçaO que faz faltaO que faz falta é animar a maltaO que faz faltaO que faz falta é empurrar a maltaO que faz faltaQuando um homem dorme na valetaO que faz faltaQuando dizem que isto é tudo tretaO que faz faltaO que faz falta é agitar a maltaO que faz faltaO que faz falta é libertar a maltaO que faz faltaSe o patrão não vai com duas loasO que faz faltaSe o fascista conspira na sombraO que faz faltaO que faz falta é avisar a maltaO que faz faltaO que faz falta é dar poder a maltaO que faz falta

OsvampirosAutor, compositor e intérprete: José Afonso (Zeca Afonso)No céu cinzento sob o astro mudoBatendo as asas pela noite caladaVêm em bandos com pés de veludoChupar o sangue fresco da manadaEles comem tudo eles comem tudoEles comem tudo e não deixam nada [bis]A toda a parte chegam os vampirosPoisam nos prédios, poisam nas calçadasTrazem no ventre despojos antigosMas nada os prende às vidas acabadasEles comem tudo eles comem tudoEles comem tudo e não deixam nada [bis]Se alguém se engana com seu ar sisudoE lhes franqueia as portas à chegadaEles comem tudo eles comem tudoEles comem tudo e não deixam nada [bis]No chão do medo tombam os vencidosOuvem-se os gritos na noite abafadaJazem nos fossos vítimas dum credoE não se esgota o sangue da manadaEles comem tudo eles comem tudoEles comem tudo e não deixam nada [bis]São os mordomos do universo todoSenhores à força mandadores sem leiEnchem as tulhas bebem vinho novoDançam a ronda no pinhal do reiEles comem tudo eles comem tudoEles comem tudo e não deixam nada [bis]Se alguém se engana com seu ar sisudoE lhes franqueia as portas à chegadaEles comem tudo eles comem tudoEles comem tudo e não deixam nadaEles comem tudo eles comem tudoEles comem tudo e não deixam nada [bis]

Pedra FilosofalMúsica e interpretação: Manuel FreireLetra: António GedeãoEles não sabem que o sonhoÉ uma constante da vidaTão concreta e definidaComo outra coisa qualquerComo esta pedra cinzentaEm que me sento e descansoComo este ribeiro mansoEm serenos sobressaltosComo estes pinheiros altosQue em verde ouro se agitamComo estas árvores que gritamEm bebedeiras de azulEles não sabem que sonhoÉ vinho, é espuma, é fermentoBichinho alacre e sedentoDe focinho pontiagudoNo perpétuo movimentoEles não sabem que o sonhoÉ tela, é cor, é pincelBase, fuste ou capitelArco em ogiva, vitralPináculo de catedralContraponto, sinfoniaMáscara grega, magiaQue é retorta de alquimistaMapa do mundo distanteRosa dos Ventos, infanteCaravela quinhentistaQue é cabo da Boa-EsperançaOuro, canela, marfimFlorete de espadachimBastidor, passo de dançaColombina e ArlequimPassarola voadoraPara-raios, locomotivaBarco de proa festivaAuto forno, geradoraCisão do átomo, radarUltrassom, televisãoDesembarque em foguetãoNa superfície lunarEles não sabem, nem sonhamQue o sonho comanda a vidaE que sempre que um homem sonhaO mundo pula e avançaComo bola coloridaEntre as mãos de uma criança

Pedro SoldadoIntérprete: Adriano Correia de OliveiraLetra: Manuel AlegreMúsica: Adriano Correia de OliveiraJá lá vai Pedro SoldadoNum barco da nossa armada,Num barco da nossa armada.E leva o nome bordadoNum saco cheio de nadaTriste vai Pedro Soldado.Nas agulhas do pinheiro.Branda rola não faz ninhoNas agulhas do pinheiro.Não é Pedro marinheiroNem no mar é seu caminho,Nem no mar é seu caminho.Nem anda a branca gaivotaPescando peixes em terra.Nem anda a branca gaivotaPescando peixes em terra.Nem é de Pedro essa rotaDos barcos que vão à guerra,Dos barcos que vão à guerra.Onde não andas ceifandoJá o campo se fez verde,Já o campo se fez verde.E em cada hora se perdeCada hora que demoraPedro no mar navegando.Não é Pedro o pescadorNem no mar vindimador.Não é Pedro o pescadorNem no mar vindimador.Nem soldado vindimandoVerde vinha vindimadaTriste vai Pedro Soldado.Já lá vai Pedro SoldadoNum barco da nossa armada,Num barco da nossa armada.INSTRUMENTALDeixa o nome bordadoE era Pedro Soldado,E era Pedro Soldado.Branda rola não faz ninhoNas agulhas do pinheiro.Branda rola não faz ninhoNas agulhas do pinheiro.Não é Pedro marinheiroNem no mar é seu caminho,Nem no mar é seu caminho.Deixa o nome bordadoE era Pedro Soldado,E era Pedro Soldado.

PorqueIntérprete:Francisco FanhaisMúsica: Francisco Fanhais (?)Letra:Sophia de Mello Breyner AndresenPorque os outros se mascaram mas tu nãoPorque os outros usam a virtudePara comprar o que não tem perdãoPorque os outros têm medo mas tu nãoPorque os outros são os túmulos caiadosOnde germina calada a podridão.Porque os outros se calam mas tu não.Porque os outros se compram e se vendemE os seus gestos dão sempre dividendo.Porque os outros são hábeis mas tu não.Porque os outros vão à sombra dos abrigosE tu vais de mãos dadas com os perigos.Porque os outros calculam mas tu não.

Portugal RessuscitadoIntérprete: TonichaLetra: José Carlos Ary dos SantosMúsica:Fernando TordoDepois da fome, da guerrada prisão e da torturavi abrir-se a minha terracomo um cravo de ternura.Vi nas ruas da cidadeo coração do meu povogaivota da liberdadevoando num Tejo novo.Agora o povo unidonunca mais será vencidonunca mais será vencidoVi nas bocas vi nos olhosnos braços nas mãos acesascravos vermelhos aos molhosrosas livres portuguesas.Vi as portas da prisãoabertas de par em parvi passar a procissãodo meu país a cantar.Agora o povo unidonunca mais será vencidonunca mais será vencidoNunca mais nos curvaremosàs armas da repressãosomos a força que temosa pulsar no coração.Enquanto nos mantivermostodos juntos lado a ladosomos a glória de sermosPortugal ressuscitado.Agora o povo unidonunca mais será vencidonunca mais será vencido.

Somos LivresAutor, compositor e intérprete: Ermelinda DuarteOntem apenasfomos a voz sufocadadum povo a dizer não quero;fomos os bobos-do-reimastigando desespero.Ontem apenasfomos o povo a chorarna sarjeta dos que, à força,ultrajaram e venderamesta terra, hoje nossa.Uma gaivota voava, voava,asas de vento,coração de mar (bis)Como ela, somos livres,somos livres de voar (bis)Uma papoila crescia, crescia,grito vermelhonum campo qualquer (bis)Como ela somos livres,somos livres de crescer (bis)Uma criança dizia, dizia"quando for grandenão vou combater" (bis)Como ela, somos livres,somos livres de dizer (bis)Somos um povo que cerra fileiras,parte à conquistado pão e da paz (bis)Somos livres, somos livres,não voltaremos atrás (bis)

Tanto marAutor, compositor e intérprete: Chico BuarqueFoi bonita a festa, páFiquei contenteAinda guardo renitenteUm velho cravo para mimJá murcharam tua festa, páMas certamenteEsqueceram uma sementeEm algum canto de jardimSei que há léguas a nos separarTanto mar, tanto marSei também quanto é preciso, páNavegar, navegarCanta a primavera, páCá estou carenteManda novamenteAlgum cheirinho de alecrimCanta a primavera, páCá estou carenteManda novamenteAlgum cheirinho de alecrim

TouradaIntérprete: Fernando TordoLetra: Ary dos SantosMúsica: Fernando TordoNão importa sol ou sombraCamarotes ou barreirasToureamos ombro a ombro as ferasNinguém nos leva ao enganoToureamos mano a manoSó nos podem causar dano esperasNão importa sol ou sombraCamarotes ou barreirasToureamos ombro a ombro as ferasNinguém nos leva ao enganoToureamos mano a manoSó nos podem causar dano esperasEntram guizos, chocas e capotesE mantilhas pretasEntram espadas, chifres e derrotesE alguns poetasEntram bravos, cravos e dichotesPorque tudo mais são tretasEntram vacas depois dos forcadosQue não pegam nadaSoam brados e olés dos nabosQue não pagam nadaE só ficam os peões de bregaCuja profissão não pegaEntram vacas depois dos forcadosQue não pegam nadaSoam brados e olés dos nabosQue não pagam nadaE só ficam os peões de bregaCuja profissão não pegaCom bandarilhas de esperançaAfugentamos a feraEstamos na praça da primaveraNós vamos pegar o mundoPelos cornos da desgraçaE fazermos da tristeza graçaEntram velhas, doidas e turistasEntram excursõesEntram benefícios e cronistasEntram aldrabõesEntram marialvas e coristasEntram galifões de cristaEntram cavaleiros à garupaDo seu heroísmoEntra aquela música malucaDo passodoblismoEntra a aficcionada e a caducaMais o esnobismo e cismoEntram cavaleiros à garupaDo seu heroísmoEntra aquela música malucaDo passodoblismoEntra a aficcionada e a caducaMais o esnobismo e cismoEntram empresários moralistasEntram frustraçõesEntram antiquários e fadistasE contradiçõesE entra muito dólar, muita genteQue dá lucro aos milhõesE diz o inteligente que acabaram as cançõesE diz o inteligente que acabaram as cançõesQue acabaram as cançõesDizia o inteligente que acabaram as cançõesNão importa sol ou sombraCamarotes ou barreirasToureamos ombro a ombro as ferasNinguém nos leva ao enganoToureamos mano a manoSó nos podem causar dano esperasEntram guizos, chocas e capotesE mantilhas pretasEntram espadas, chifres e derrotesE alguns poetasEntram bravos, cravos e dichotesPorque tudo mais são tretasEntram vacas depois dos forcadosQue não pegam nadaSoam brados e olés dos nabosQue não pagam nadaE só ficam os peões de bregaCuja profissão não pegaEntram velhas, doidas e turistasEntram excursõesEntram benefícios e cronistasEntram aldrabõesEntram marialvas e coristasEntram galifões de cristaEntram cavaleiros à garupaDo seu heroísmoEntra aquela música malucaDo passodoblismoEntra a aficcionada e a caducaMais o esnobismo e cismo

Trova do vento que passaIntérprete: Adriano Correia De OliveiraLetra: Manuel AlegreMúsica: António PortugalPergunto ao vento que passaNotícias do meu paísE o vento cala a desgraçaO vento nada me diz.O vento nada me diz.La-ra-lai-lai-lai-la, la-ra-lai-lai-lai-la, [Refrão]La-ra-lai-lai-lai-la, la-ra-lai-lai-lai-la. [Bis]Pergunto aos rios que levamTanto sonho à flor das águasE os rios não me sossegamLevam sonhos deixam mágoas.Levam sonhos deixam mágoasAi rios do meu paísMinha pátria à flor das águasPara onde vais? Ninguém diz.[Se o verde trevo desfolhasPede notícias e dizAo trevo de quatro folhasQue morro por meu país.Pergunto à gente que passaPor que vai de olhos no chão.Silêncio -- é tudo o que temQuem vive na servidão.Vi florir os verdes ramosDireitos e ao céu voltados.E a quem gosta de ter amosVi sempre os ombros curvados.E o vento não me diz nadaNinguém diz nada de novo.Vi minha pátria pregadaNos braços em cruz do povo.Vi minha pátria na margemDos rios que vão pró marComo quem ama a viagemMas tem sempre de ficar.Vi navios a partir(Minha pátria à flor das águas)Vi minha pátria florir(Verdes folhas verdes mágoas).Há quem te queira ignoradaE fale pátria em teu nome.Eu vi-te crucificadaNos braços negros da fome.E o vento não me diz nadaSó o silêncio persiste.Vi minha pátria paradaà beira de um rio triste.Ninguém diz nada de novoSe notícias vou pedindoNas mãos vazias do povoVi minha pátria florindo.E a noite cresce por dentroDos homens do meu país.Peço notícias ao ventoE o vento nada me diz.Quatro folhas tem o trevoLiberdade quatro sílabas.Não sabem ler é verdadeAqueles pra quem eu escrevo.Mas há sempre uma candeiaDentro da própria desgraçaHá sempre alguém que semeiaCanções no vento que passa.Mesmo na noite mais tristeEm tempo de servidãoHá sempre alguém que resisteHá sempre alguém que diz não.

Vejam bemAutor, compositor e intérprete: José AfonsoVejam bemQue não há só gaivotas em terraQuando um homem se põe a pensarQuando um homem se põe a pensarQuem lá vemDorme à noite ao relento na areiaDorme à noite ao relento no marDorme à noite ao relento no marE se houverUma praça de gente maduraE uma estátuaE uma estátua de febre a arderAnda alguémPela noite de breu à procuraE não há quem lhe queira valerE não há quem lhe queira valerVejam bemAquele homem a fraca figuraDesbravando os caminhos do pãoDesbravando os caminhos do pãoE se houverUma praça de gente maduraNinguém vem levantá-lo do chãoNinguém vem levantá-lo do chãoVejam bemQue não há só gaivotas em terraQuando um homemQuando um homem se põe a pensarQuem lá vemDorme à noite ao relento na areiaDorme à noite ao relento no marDorme à noite ao relento no mar

SOBRE ESTE RECURSO:

O 25 de Abril de 1974 fica para sempre ligado à música de intervenção.As letras, melodias e vozes únicas transportam-nos para mensagens de contestação ou de esperança num mundo melhor.Conhecer este legado, 47 anos depois, é revisitar todo um tempo da História do nosso país, na conquista da liberdade.A Biblioteca Escolar, em articulação com os docentes de História, com a colaboração de alunos, disponibiliza, nesta "estante digital", videos do Youtube, ordenados alfabeticamente pelo título da canção. No total, fazem parte desta mini-coleção, 26 vídeos, a que foram adicionadas as letras das respetivas canções.Biblioteca Escolar AE Gândara Mar | abril 2021